O londrino entrou no palco calmo como a música que toca, pegou no microfone e as primeiras palavras que disse foram sobre Kanye West. “Thanks to Kanye for opening my show”. À frente de Jamie Woon estava uma legião de jornalistas de smartphone na mão, distraídos, sem ligar muito ao que por ali se passava e a apontar baterias a facebooks e às páginas dos jornais: Kanye West tinha acabado de ser confirmado para os quinze anos do Sudoeste.

O concerto lá começou, com toda a gente meio zonza ainda do baque daquela notícia. E a pouco e pouco as mãos foram-se baixando e os olhos apontaram para onde tinham de estar apontados. Em cima, no palco, lá estava o Jamie, com uma camisa escura e cabelo lambido. Começava como o conhecemos, com a sua soul electrónica que acalma.

Música a música os pés foram-se mexendo e a mão de Jamie lá foi marcando o ritmo, fechada, sempre certa, sempre à espera do próximo sample. E não desiludiu, Woon é ao vivo o que Woon é no álbum. E ali fez desfilar a “Night Air” como gente grande. Ali disse alto, a bom som: “I envy you for living here”. E lá se criou o ambiente certo, lá se esqueceram as contratações milionárias e se voltou à música.

E os temas foram passando, caindo sem cansar, mas sem também aquecer muito. Caíram até que se chegou à parte que esperava. A parte do live sampling. Um a um, e com uma só voz, Woon foi inserindo os samples da “Spirits”. Sozinho, encheu um palco e com vozes que se sobrepunham espalhou um pouco desta soul moderna de que é apologista. No final, à saída, o tema era outro. Mas não faz mal. Até Agosto Jamie.

Miguel Leite

Fotografias de David Dinis para a Punch Magazine


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