As margens do rio coura no passado fim de semana receberam vinte mil pessoas, numa das edições mais aguardadas e lotadas deste festival. Uma edição brilhante com um cartaz que ainda nos faz palpitar as emoções vividas nestes últimos dias. Num cenário único, que sabe juntar estilos, ritmos e pessoas inconfundíveis que fazem deste festival uma festa da qual nós queremos pertencer, uma festa aberta e despreocupada de preconceitos e claro com a música ideal para se passar belos momentos inconfundíveis de prazer.

A festa essa começou no passado dia 17, com a recepção ao campista, e não podia ter começado da melhor maneira. Falamos das sonoridades do Sírio Omar Souleyman, que com a sua presença soube pôr todos os campistas em sobressaltos dançáveis, ouvindo-se no ar frases complicadas de decifrar como uma espécie de códigos que andavam a circular no ar com bastante piada. Seguindo-se a actuação dos Wild Beasts, sem as ditas danças estranhas, estes rapazes souberam surpreender e envolver os presentes numa especie de viagem às entranhas da música indie. “Hooting & Howling” foi um dos temas mais aplaudidos e surpreendentes desta primeira noite. Noite essa marcada também pela presença dos já repentes Crystal Castles, que com os temas ” Not in Love”, “Crime Wave” e “Celestica” puseram a saltar de forma descontrolada e inquietante todos os presentes,  apesar de Alice Grass e Ethan Kath já nos terem habituado a melhores prestações.

No dia 18, o primeiro de três dias, optámos por levar uma t-shirt ás riscas e umas calças de ganga pretas, cabelo desgrenhado e despreocupado para podermos balançar ao ritmo dos Crystal Stilts. Marcavam as 18h e já eram muitos aqueles que aguardavam os concertos sentados relaxadamente na relva. Sabe bem estar ali a ouvir a sonoridade destes nova-iorquinos, que rapidamente fazem lembrar os Joy Division ou Jesus & Mary Chain. Fomos espreitar a actuação dos portugueses We Trust, uma boa prestação mas sem grandes sobressaltos e surpresas. Seguimos outra vez para o palco principal para ver um dos nomes mais sonantes deste festival, apelidado por muitos como o James Bond do médio Oriente, Twin Shadow, que marcou presença e não desiludiu. A festa continuou com os norte-americanos Blonde Redhead, que vieram apresentar o mais recente álbum de originais, Penny Sparkle, resultado da influência cultural da cidade de Nova Iorque. A encerrar o palco principal deste primeiro dia estiveram os Pulp, eles que souberam controlar as atenções com uma actuação que certamente irá ficar no álbum das memórias deste Paredes de Coura 2011.

O Dia 19 começou com a sonoridade dos portugueses You can´t win Charlie Brown no palco 2, e com a super estreia dos Battles no palco principal. A fasquia estava alta para este rapazes nova-iorquinos, que acabaram de lançar o seu 2º álbum Gloss Drop, experimentalismo e autonomia foram as palavras-chave desta apresentação que soube cativar os mais desatentos que por lá andavam. Seguiram-se os Deerhunter, numa prestação morna da qual esperávamos melhor. Mas aquilo que estávamos todos à espera era dos Kings of Convenience. Era assustadora a imagem da massa humana que pairava em frente do palco principal. Os rapazes souberam comunicar com o público e embalá-lo em melodias tão aguardadas como “Toxic Girl”, “I’d Rather Dance With You”, “Brave New World”, “Mrs Cold”, entre tantas outras. Ainda a noite ia a meio quando Marina & the Diamonds subiu ao palco, uma prestação da qual desistimos, por acharmos que não se enquadrava naquele ambiente. Para além disso, no palco 2 já se ouvia a excitação dos fans dos Metronomy, que na nossa opinião mereciam estar no palco principal. Mas lá conseguimos ir para a frente e assistir a uma das melhores prestações deste ano em Portugal. O tempo passou a correr e cantámos que nos fartámos, mas a noite essa encerrou pelas mãos dos MixHell. O casal Cavalera excitou todos os presentes com misturas devoradoras entre batuques e ácidas linhas sonoras.

Dia 20, o último dia de festival, já estávamos cansados mas com a vontade de ir para a mochada dos DFA 1979. Mas comecemos pelo início, tarde morna com a sonoridade de Kurt Vile no palco 2, e entre o fast-food e umas cervejas, lá começámos a acordar para os Two Door Cinema Club, que prestaram uma actuação pouco criativa e um pouco chata em certos momentos. Mas deu para cantarolar alguns êxitos da banda, o que já não foi mau de todo. Seguiram-se os Mogwai que nos deixaram impressionados e introspectivos. Sendo que o baterista/vocalista Sebastien Grainger e o baixista Jesse. F. Keller dos DFA 1979, transformaram o anfiteatro da vila minhota num território de emoções fortes e viris numa prestação poderosa , encerrando assim mais uma edição do Paredes de Coura.

 

Daniel Campos

Fotografias de Gustavo Fresco

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