Depois de um EP que os pôs na cena musical Portuguesa, intitulado Iconoclasts, a banda lisboeta decidiu encaminhar-se para um tal de Mt. Erikson, em busca de um primeiro álbum. Foram vários os meses de gravação que deram origem às 13 faixas que constam no registo, onde contaram com a preciosa ajuda de Eduardo Vinhas, que já tinha colaborado com B Fachada. O álbum em si, contam eles que é “um reflexo sobre a ingenuidade da infância e da adolescência, (…) sobre a transfiguração da criança em adulto.”

Mt. Erikson é uma mescla de estilos, histórias e ideias de uma banda que ainda está a encontrar o seu som. Tem momentos de rock desenfreado (“Standards”), momentos que me fazem lembrar um pós-punk acústico (“Speedway”), outras em que me ocorre vários tipos de rock – algumas músicas vão para a gaveta do post rock (“Norwegian Poetry”), outras para a do math rock (“Wrong is the New Right”) e ainda sobram umas que metemos na do indie rock (“Tower Glass”, “Anything Will Do”, “Stranger in a Stranger Land”). Há espaço para músicas instrumentais, paisagens sonoras que surgem (agradavelmente, veja-se) por entre os estilos todos que a banda encaixou no álbum (“Mt. Erikson”, “Tiger Tiger”). Tanto quanto sei, em concerto, o álbum funciona bem, chama a atenção, isto contado por alguém que desconhecia o trabalho da banda na altura. Uma coisa boa também é não se cingirem a um só vocalista, o que faz deste Mt. Erikson ainda mais versátil, não só evoca vários estilos e influências, como tem uma voz ora feminina, ora masculina (por vezes até ao mesmo tempo).

No entanto, o álbum ainda demonstra alguma incerteza no que toca à espinha sonora da banda, existem ainda muitas decisões a serem tomadas aquando da escolha do que realmente os define musicalmente. Uma das provas disso mesmo é o facto do agrupamento se dizer “alternativo/indie/powerpop” no seu myspace. É um álbum que deve ser ouvido várias vezes, porque não é “fácil”, não é óbvio e isso, neste caso, é bom. Dá-lhes uma complexidade especial, um som genuíno e característico, que os diferencia de qualquer outro projecto que tenha ouvido nos últimos tempos.

Iconoclasts – Mt. Erikson (6.5/10)

Fiquem com “Stranger in a Strange Land” e não se esqueçam que o álbum sai dia 19 de Setembro!

João Pacheco

Subscreve a Punch TV!