Sexta feira era o 2º dia (e último, diga-se) do Festival “mais underground que a galeria Zé dos Bois”, citando o vocalista d’Os Pontos Negros. A expectativa era alta, num inicio de noite onde constavam os Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Os Velhos, O Rapaz do Sul do Céu e Samuel Úria.

Chegámos pouco depois d’Os Velhos terem começado, o que nos fez perder os Asterisco Cardinal Bomba Caveira, banda com a qual queremos colaborar muito em breve!

Estava menos gente que no dia anterior, pelo menos aparentemente, mas a diferença era muito pouco significativa. Via-se muitas caras iguais, todos com a mesma sede de indie-rock e a mesma vontade de cantar as músicas. Olhamos para o palco e vemos Os Velhos, que de velhos não tem nada (vá, a barba do vocalista apela a uma certa figura paternal, mas só isso!) a tocar como se a vida deles dependesse daquele momento. E se fosse esse o caso, cheira-me que eles tinham sobrevivido e o público concordaria de certeza, tal era a apoteose. “O Tempo dos Passeios” pôs toda a gente aos saltos, seguido de um pedido sincero da banda para que haja “Controlo e Contrição” e um fantástico cheiro daquilo que a banda também é, com um devaneio pós-rockiano hipnotizante. Mas claro, depois da hipnose, há que estalar os dedos, e dar nova descarga de adrenalina ao público com o single “Senhora do Monte” e voltar a acalmar as hostes, num seguimento de músicas que só fica indiferente quem for surdo. E mesmo assim, volto a referir a barba profética do vocalista, não sei se o surdo viraria costas! Tempo ainda para vir o Tiago Guillul, ou como agora é conhecido, O Rapaz do Sul do Céu, fazer as hostes da cantoria, dando o fantástico twist a este concerto.

Despedem-se, agradecem ao público, e vêm os Rapaz do Sul Lá do Céu. Se o tal surdo olhasse agora, veria uns jovens com uma onda um bocado mais dark, diria mesmo quase a bater à porta de um possível hardcore. Essa foi na verdade a nossa impressão, mas não podiamos estar mais errados. Este rapaz surpreende-nos com um indie rock, por vezes cantado, outras falado, com um poder de sedução gigante, com uma agressividade convidativa, uma pujança agradável. A noite prometia, sobretudo agora que as cerimónias estavam entregues a um mestre de palco, a norte ou a sul do céu!

Foi na verdade, o último concerto que vimos, porque na mesma noite havia o lançamento de outros nossos preferidos, os Iconoclasts. Na verdade, o Samuel Úria não deverá ficar chateado connosco, porque o público esteve lá todo e estamos convictos de que o feeling foi o mesmo. Saímos, descemos a calçada da Lavra e não conseguimos deixar de pensar na felicidade que é ver um evento destes correr tão bem. Música portuguesa, feita por “nós” e para nós. Até para o ano Dispersões Coloidais!

Texto: João Pacheco
Fotografias: Miguel Leite

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