No próximo dia 29 de Outubro, os The Very Best pisam o palco do Musicbox Lisboa para um DJ set integrado no 5º Jameson Urban Routes, que promete misturar a música de dança mais ecléctica com passagem pelas roots do Malawi. Em Lisboa, a banda faz-se acompanhar por Mc Mo-Laudi, para um set explosivo. É que este sul-africano, também a viver na Europa, tem fama de levar o público ao delírio com a sua electrónica tropical de balanço latino, cruzada a minimal.

A Punch entrevistou Johan Hugo e descobriu que, para além de um álbum em produção, a banda ainda gravou um tema com J-Wow dos Buraka Som Sistema.

 

Punch – Malawi, Londres, França e Suécia. Afinal, como é que vocês se conheceram?
Johan - Bem, antes de mais, hoje em dia os The Very Best são apenas dois: Johan Hugo (eu) e Esau Mwamwaya. Por isso, Suécia e Malawi via Reino Unido. Eu vivo em Londres há já 10 anos, mas quando conhecemos o Esau ele geria uma loja de artigos em segunda mão perto da minha casa em Hackney, na zona Este de Londres. Nós comprámos-lhe uma bicicleta  e convidámo-lo para uma festa em nossa casa onde começámos a falar sobre música.

Esau disse que era baterista e eu convidei-o para o estúdio, mas quando ele lá chegou em vez da percussão acabou por cantar uma música (risos).  E foi assim que tudo isto começou em 2006.

 

Punch - Como é que backgrounds tão distintos, especialmente a formação de Esau em África, influenciou a vossa música?
Johan - Nós realmente trouxemos todos os nossos backgrounds para este projecto. Eu vim do hiphop, da música de dança e pop, e o Esau veio da música ocidental e música tradicional africana. O Esau tocou bateria e cantou em bandas do Malawi durante toda a vida, por isso tinha muita experiência mas quando o conhecemos em Londres não estava a fazer nada com música… penso que esta é a beleza da nossa sonoridade, o colidir dos nossos mundos. Tudo desde o hiphop, dance, pop, música tradicional africana, gospel, cantos, etc… nós absorvemos tudo e usamos o que amamos na música. Nunca pensamos muito sobre isso, apenas vemos se funciona e partimos daí.

 

Punch -  Sobre o nome da vossa banda “The Very Best”. É uma declaração um bocado forte, de onde é que vem?
Johan – Foi mais um nome divertido, estás a ver? Não tem nenhum significado real e não é como se estivéssemos a dizer que somos os maiores, mas ao mesmo tempo, acho que é mesmo isso que estamos a dizer (risos). O nome veio do Etienne (ex-membro da banda). O primo dele tinha uma banda chamada The Very Best e sempre achámos que era um nome engraçado e cool por isso, por isso, quando pararam de o usar perguntámos se nos podíamos apoderar dele para o nosso projecto.

 

Punch – Qual é a diferença entre tocar no Malawi e na Europa?
Johan – Só tocámos ainda no festival Lake of Stars no Malawi, mas já o fizemos 3 vezes. Mas é como um festival em qualquer parte do mundo. Apenas mais pequeno, íntimo e agradável (risos).

É um festival encantador mas o espectáculo não difere muito. O melhor de tocarmos no Malawi é que podemos usar imensos artistas locais e dançarinos tradicionais em palco. É fácil e barato fazer um show incrível. Enquanto que na Europa ou América as digressões custam muito mais dinheiro. Mas mesmo assim, nós tentamos sempre trazer o máximo de pessoas e dançarinos que podemos onde quer que vamos.

 

5. Têm heróis musicais?
Muitos … O Esau diria Peter Tosh e Evison Matafale … eu não sei o que dizer, são tantos…

 

6. Já passaram dois anos desde “Warm Heart of Africa”. Quais são os vossos planos para o futuro?
Johan – Acabei de voltar do Malawi, onde gravámos as últimos 6 canções do novo álbum. Nós gravámos na Suécia e Nova York no ano passado, depois fizémos uma pausa e agora voltámos e estruturámos verdadeiramente o álbum. Todos os singles foram feitos no Malawi nas últimas semanas. Tem sido incrível. Trabalhámos com alguns artistas surpreendentes neste álbum também. Por exemplo o J-Wow dos Buraka Som Sistema co-produziu uma canção comigo… Mas sim temos tanto material bom que precisamos de pós-produzir o álbum e misturá-lo agora para lançar em 2012. Estamos entusiasmado para ter um novo disco na rua e recomeçar a digressão no próximo ano. O novo álbum é muito mais orientado para a dance music e resulta melhor em shows ao vivo. Por isso estamos ansiosos para começar a tocar novo material.

 

Punch – Na vossa mixtape de estreia samplaram artistas como M.I.A ou Ezra Koenig dos The Vampire Weekend, que mais tarde acabaram por colaborar no álbum “Warm Heart of Africa”. Na vossa última mixtape mixtape “Super Mom”, lançada no início deste ano, ouvimos LCD Soundsystem, Kate Bush, Kanye West ou Cee-Lo. Alguma surpresa reservada para futuras contribuições?
Johan – Não posso falar sobre quem está neste novo álbum, mas trabalhámos com muito mais pessoas. Produtores, cantores, músicos… houve muita gente envolvida. Alguns acabam por ser expectáveis, outros acho que serão completamente inesperados… mas vamos ter de esperar para ver.

 

Punch – Podemos esperar a mesma abordagem das vossas mixtapes no DJ Set que  vão passar no Musicbox Lisboa?
Johan – Quando passamos música como The Very Best é definitivamente uma festa vibração dance. Existe tanta boa música de dança por aí estes dias. Para que vejam, no Malawi, há duas semanas atrás, até passámos uma faixa de David Guetta (risos). Nós gostamos de coisas tão diferentes. Neste sentido vai ser como nas mixtapes, uma mistura de géneros muitos diferentes. Mas o DJ Set vai ser definitivamente mais orientado para a dance music.

Pedro Lima

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