Uma semana depois do concerto na Sala TMN, fazemos uma pequena viagem no tempo para recordar a mais recente presença de Patrick Wolf em Lisboa.

Texto: Miguel Leite
Fotografias: Mariana Paramês

A sala estava em completo silêncio quando o concerto começou, um silêncio brutal. E Patrick Wolf lá entrou, em toda a sua altura, em todo o seu esplendor e ouviu a primeira ovação. Casaco vermelho, camisa com cores de selva, um andar terno, mas decidido. À sua espera, uma banda inteira e uma harpa, sozinha, a querer ser tocada pelas mãos do britânico. E começou, começou com a “Armistice”, com uma música calma, que repôs o silêncio na sala enquanto se ouvia “come closer, come closer”. Rajada de palmas, explosão de gritos, casaco ao ar e começa a “Time Of My LIfe”, violinos, percussão e instrumentos de sopro na primeira subida na noite, nos primeiros passos de dança que foram deixando de ser tímidos.

O ritmo estava marcado pelo inglês, grande, com um estilo meio diva meio anos 50. E as músicas seguiram-se até que começou a tocar a “Damaris” e o público, sem nenhum pedido do cantor, cantou, acompanhou Patrick Wolf e Patrick Wolf respondeu: “Rise up, risse up, risse up”. E o público levantou-se já com a “The Libertine”. E o público respondeu em ânimo, em energia, a acompanhar uma música que começou baixo, devagar, num crescendo acompanhado de dois violinos, palmas, vozes, vozes anónimas, até explodir com o baterista numa autêntica apoteose instrumental quê pôs muito boa gente a arfar.

Tempo para trocar de roupa, tempo para voltar com uma camisola de lantejolas, com mais temas para dançar e, claro, com Wolf, qual drama queen, qual drama king, a dançar, a entregar-se a Lisboa. E eis que chega o encore e com ele um Patrick Wolf com um macacão em polca dots, preto e branco e a “Hard Times”, finalmente, para o momento da noite, em que Patrick Wolf, repito com um macacão polca dots, se agarra à coluna e se entrega à “Revolution, time for some Revolution”. No final, ninguém ficou igual depois deste regresso. No final, as almas ficaram saciadas. Bem, pelo menos a nossa ficou.

 

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