Tom Vek, Londrino de gema, daqueles que fazem o que muito bem entendem. Este, por exemplo, deu-se ao luxo de não editar novo disco durante 6 anos porque não estava satisfeito com os temas que compunha. Andou a trabalhar como designer gráfico, lá se recompôs e mandou-se aos leões com Leisure Seizure (2011). Com o Leisure Seizure vieram singles e temas de sucesso, com o sucesso o primeiro concerto em Portugal.

Musicbox, casa esgotada 10 minutos antes de Vek começar a tocar. Sensação sardinha enlatada que de tão familiar, já nos é querida. Casa cheia, whisky na mão, duas companhias perfeitas, hostes preparadas e primeiras notas, primeira canção. “C-C”, tema do álbum We Have Sound (2005), e duas pessoas ao nosso lado a cantarolarem «You set the fire in me, you set the fire in me». Casa a arder – de calor – e um Tom Vek a cantar com aquela voz tão suportavelmente desafinada. Óculos e um estilo muy Tom Ford, cabelo, loiro, penteado ao milímetro. Acordes da “We do nothing”, aquela bateria incessante e os samples cinzentões, pisados pela voz do Londrino a dizer que não faz nada com o tempo que tem. Mas nós fizémos, fomos vê-lo a interpretar o álbum na perfeição – se fechássemos os olhos podíamos estar em casa – e a disparar temas como a “Someone Loves You”. «I need a ride. I need a ride out of her. I need to think. (…). Not that anyone cares» But we did, nós queríamos saber, ouvir o que ele nos tinha para dizer, ouvir e bater o pé com aquele tema tão bom, tão dançável.

Segundo copo de Whisky, nicotina, bocas pintadas pelo fumo, aquele cheiro a tabaco e uma nuvem que transformou o Musicbox no ambiente sexual, decidido, excitado do videoclip do tema “Aroused” (quem não viu, que veja).  Por esta altura já estava a dar a “Nothing But Green Lights”, que de uma maneira ou de outra me lembra o jeito, a voz de James Murphy (LCD Soundsystem). Prepara-se a my favourite “A Chore”. Aqueles sintetizadores repetidos do princípio ao fim, cheios de reverb e echo, enormes, inesquecíveis. E aí ouvimos o que Tom Vek nos tinha para dizer – sim Tom Vek, we were listening. Aí comemos as palavras dele. «You had believed one time… And now you want more. And what you perceive as life is no more than a chore». E por vezes é só isso. Um refrão. Um repetir de letras que acreditamos que podem diferentes, quando no final acabam por formar sempre as mesmas palavras.

E é assim. Há que mudar de música. E mudámos. Para a “I Ain’t Saying My Goodbyes”. E aqui outra vez James Murphy in the house, desta vez namorado por um refrão muito Friendly Fires. Dois últimos temas, A.P.O.L.O.G.Y e claro, o momento que levou muito boa gente a comprar bilhete. A hora, os minutos, da Aroused. And we felt aroused, sentimo-nos excitados, contentes, satisfeitos. Mas foi uma rapidinha, porque encore nem vê-lo, interação com o público foi pouca e a entrega podia ter sido melhor. E nem tudo foram rosas, mas caíram umas quantas no nosso colo e nós agradecemos.

Texto: Miguel Leite
Fotografias: Daniel Campos 

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