Tudo fazia prever enchente, que foi confirmada ainda nem 23h eram. Os bilhetes estavam esgotados, havia muita gente à porta com vontade de arranjar mais um espacinho, mas não existia de facto. O palco estava montado para a “Gazela” dos Capitão Fausto esvoaçar à vontade.

Raparigas bem vestidas, rapazes com vontade rockeira e ainda alguns pedidos de BI à entrada. Umas litrosas para aquecer a noite, umas conversas paralelas sobre o vídeo para o single “Teresa” e alguma, senão bastante, ansiedade. A vontade de ver os Capitão Fausto sentia-se, os próprios pareciam já não conseguir esperar por chegar ao palco. Havia, no entanto, uns senhores Salto que lhes iriam fazer as honras antes.

Estes senhores, que já são um fenómeno a nível nacional (para quem não sabe, vão abrir os GNR) chegaram com a sua energia normal e reconhecida ao palco, “Façam o favor de ser felizes” a soar nos PA’s do Musicbox e abrem com “Deixar Cair“. O público, que ainda não estava em modo sardinha, mas quase, reconhece e canta ao mesmo tempo. O que lembra a música seguinte, “Tempo que Mudou“, outro hit (e não são todos?) da banda Portuense, que mais uma vez tem ecos vindo da plateia. Seguem com duas novas canções, experiências novas provavelmente para o muito esperado EP de estreia e depois “Canção Diagonal“. Põem-se com experiências dubstep, um pouco de Gold Diggin’, que estende a passadeira vermelha para “Sem 100“, onde o vocalista mostra os seus dotes de MPC e claro, acabando com a extasiante “Por Ti Demais” – com o público a gritar a letra toda.

A hora tinha então chegado. As pessoas começaram a empurrar-se para dentro da box e a poucos minutos da soltura da Gazela, já nem se conseguia mexer os braços. E entraram. Gritos, uivos e muitos aplausos – um descontrolo controlado, digno de corar os capitães. Abrem com “Zécid“, música que se faz acompanhar não só de um piscar de olhos ao indie progressivo dos Tame Impala mas também dos primeiros “shalalalas” do CD, que é de resto uma característica dos Lisboetas. Segue-se “Febre“, música para dançar e com mais alguns “nanana” à mistura e com “Ela Não Acha Normal” pegado, uma das viciantes malhas do EP de estreia. Interrompem um pouco o concerto, dirigem-se à plateia que está agora totalmente incendiada e sedenta (a vários níveis) por mais. Uns certeiros obrigados e um pouco de “Verdade“, que é na realidade aquilo que eles mais têm. Um indie rock genuino e simples, sem grandes excentricidades. Servem-nos de seguida “Sobremesa“, que em nada se assemelha ao final de uma refeição, com uma garra de pára-arranca que até fez tremer os copos de cerveja. O suor escorria, os Fausto seguiam com “Supernova” (tentas-me acordar com uma história que me faz adooormecer…) e a plateia fazia cada vez mais força para fazer ouvir. Faz-se moche ao centro do palco, mas é acalmada por momentos, apenas para ser novamente incendiada com “Teresa“, single de estreia da rapaziada. Viram-se umas quantas tentativas de coreografia, mas a quantidade de gente ali dentro estava mesmo a apertar e tornavam-se complicados os movimentos. Pede-se festa latina para quando chega “Santana” – os tripulantes concordam e desatam a dançar. Acaba a música, fazem a brincadeira do encore – ” É a última..” – diz o baixista a piscar o olho aos amigos. Ouvem-se gritos, só mais uma e eles lá voltam para nos introduzir ao outro bicho do álbum, “Raposa“.


Chegamos ao fim, suados, desgastados e bem. Vê-se contentamento, alegria e um misto de “Uau” com “wow”. Havia muita gente que ainda não tinha bem noção do quão tonificado estava o indie rock cantado em Português e quanto músculo esta gente já tinha. As músicas não são odes à princesa à boa maneira dos tempos antigos, muitas vezes o refrão é acompanhar com “nanana” a guitarra do Manuel. E daí? São músicas com pica, com pujança e incrivelmente catchy. Os Capitão Fausto chegaram, viram e venceram. É caso para dizer, há noites assim.

Texto: João Pacheco

Fotos: Dumitru Tira

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