Esta quinta-feira no Lux é dia da 3ª Edição do Open Ice, da Bloop Recordings. Nós aproveitámos a boleia e contratámos um 5 x 5 ao José Belo, da Bloop. Banda sonora para esta entrevista fica a cargo de Frivolous, cabeça de cartaz desta grandessíssima noite.

Frivolous – Cryin’

I – CINCO PERGUNTAS

1. Qual foi a tua primeira experiência com música?

Foi igual à de toda a gente que gosta de música. Um pai ou uma mãe que gosta também de música e que a ouve o dia todo. Como criança, vês a alegria que a música dá à tua mãe ou pai e pensas “eu quero um bocado daquilo também”. E, sem perceberes, estás agarrado para a vida.

2. De onde vem o nome Bloop Recordings e como começaram?

O nome bloop surge como uma brincadeira com a palavra loop,que era o nome da editora onde estava antes de criar a bloop. Acaba também por ser uma brincadeira com a palavra bleep,muito usada na electrónica. Como bónus, também é usada natelevisão para tapar palavrões e gostamos disso. Começámos em Lisboa há 4 anos, mais coisa menos coisa. E começámos porque gostamos de música que nos faz dançar.

3. Para ti, que artista merecia o nome de uma rua?

Em Portugal, a música de dança, com muita pena minha, ainda não tem estatuto para ter o nome de uma rua. O Frankie Knuckles, que inventou a house, tem uma avenida só para ele em Chicago. Nela, está a Warehouse, o primeiro clube onde a house foi tocada e que acabou por lhe dar nome. A avenida à frente do Lux merecia que lhe chamassem isso, por exemplo.Avenida do Lux. Muitos poucos fizeram tanto pela música de dança em Portugal como eles.

4. Qual o próximo álbum que anseias ouvir?

Gostava muito de ouvir o álbum de remisturas de temas dosRadiohead que acabou de sair. Conhecendo os Radiohead, tenho a certeza que estão ali muitas das direcções que a música de dança vai adoptar num futuro muito próximo.

5. Qual foi o teu episódio mais bizarro?

Há tantos. Desde o clássico tirar o disco que está a tocar e teres centenas e centenas de assobios a protestar contigo até aos pedidos complicados de responder na cabine por parte de fãs mais destemidas, são tudo situações a que tentamos responder com descontracção. Faz tudo parte da festa. Se eles não existissem, estes momentos, isto parecia um trabalho das 9 às 5.

II - CINCO MÚSICAS

1. The Beach Boys – God Only Knows

Não foi preciso pensar muito, é esta, sempre e sempre. É uma canção de amor mas é tão mais do que isso. E é daquelas que precisa de menos palavras para explicar porque está aqui.

2. Roxy Music – Avalon

Porque não há pop assim agora. Pop que, estando tu numa fila de carros em pleno centro de Lisboa às duas e quarenta e três da tarde, te levem para longe dali. Aquele sintetizador lá atrás, o Bryan com a pinta crooner, a parte do “dancing… dancing…”, a guitarra, o ritmo, o saxofone, a voz dela, a parte final do“avalon… avalon…”, a letra. É perfeita.

3. Don Mclean – American Pie

Porque fala da música e da relação que temos com a música como muito poucas músicas conseguem. Para quem, como eu,gosta de música da maneira que gosto, ter uma música capaz de revelar o que tantas vezes é tão difícil de expressar dá jeito.

4. Buffalo Springfield – For What It’s Worth

Porque faz com que a música também seja capaz de ter papel determinante na sociedade. E é nisso que acreditamos profundamente, que a música é capaz de não só fazer-te dançar e esquecer os problemas mas, mais do que isso, é capaz de te ajudar a resolvê-los.

5. José Mário Branco – Eu vim de longe

Porque a música portuguesa merece músicos destes. Fica em último porque queria que tivesse destaque. E não queria o destaque bacoco de a colocar em primeiro lugar, soaria a falso porque nada consegue ser melhor que a “God Only Knows”.Mas é desta liga de que José Mário Branco faz parte. A liga doBrian Wilson, do Paul McCartney e de outros autores como eles que aprendemos a respeitar. Ainda não aprendemos a respeitar oJosé Mário Branco mas isso é culpa nossa, não é dele. Ele cumpriu a parte dele, a de ser genial. Cumpramos nós a nossa agora.

Miguel Leite

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