Falar de Cansei de Ser Sexy em Portugal não é propriamente uma novidade. As meninas não só dispensam apresentações, como também já nos ofereceram pelo menos uma mão cheia de exibições. Novidade foi saber que Adriano Cintra, membro e principal produtor/compositor do grupo decidiu “abandonar o barco” no passado dia 11, muito pouco tempo antes da tour europeia de apresentação de La Liberación (2011), terceiro e último albúm de CSS, ser retomada. Adriano “deu o fora”, e pelos visto fê-lo zangado, proibindo o resto da formação de usar as suas backing tracks nos lives. Portanto, às 21H45, e a sair do metro no Cais do Sodré, fizemos o ponto de situação: concerto a uma segunda-feira, no Adriano, no backing tracks… bem, se não ficámos cépticos ficámos pelo menos um bocadinho… expectantes!

Mais coisa menos coisa, são 22h10 e lá estamos nós, já atrasados, a entrar no recente Espaço TMN ao Vivo (que de recente só tem mesmo o nome). O sítio, que também não é enorme, estava à pinha! “Já não é mau…”, pensámos, enquanto furávamos a multidão e os primeiros acordes se faziam ouvir. Cinco encontrões, três chicotadas de cabelo e um “is that a woman, is that a plane?”, fazem-nos perceber que as pequenas se apressaram a mostrar-nos o novo reportório, abrindo o concerto com “Rhythm to the Rebels”. Destacam-se as guitarras, acalma-se a electrónica, mas a batida melódica mantém-se, bem ao jeito de CSS. Mal a conseguimos digerir, Lovefoxx dispara um já clássico “Off the Hook” que põe toda a gente a dançar. Na verdade, a boa disposição do público foi praticamente incessante e impossível de contrariar. Ao terceiro som, o semi-orgásmico “La Liberácion” que dá nome ao novo albúm, uma Lovefoxx estilo black momma arranca a peruca afro e começa a despir-se. O “costume”… ou secalhar não, com efeito, os maillots de lycra foram para o lixo, e mesmo caminho tiveram os balões e os confetis com que a vocalista nos tinha habituado. Uma atitude mais rock-star, mas a energia, essa… essa, foi a mesma!

Simpáticas e comunicativas como sempre, as meninas agradeceram-nos a casa cheia a uma segunda-feira, (“a melhor segunda-feira da vida!”) assim como o bom tempo e o bom bacalhau. A interacção com o público foi constante, tornando-se mesmo enternecedora: crowd surf de Lovefoxx ao som de um “Let’s Make Love and Listen Death From Above” que pôs toda a gente até à última fila em histeria. Outro crowd surf em “Superafim”, tema que fechou definitivamente o concerto depois de um encore que não era difícil de prever e muitos, muitos mimos para os fãs (desde palhetas, folhas com o alinhamento musical, garrafas de água…).
De destacar são ainda as interpretações de temas novos como “Echo of Love” e “Hits me Like a Rock”. De facto, se alguma vez conseguimos ser conduzidos por aquela sonoridade meio latina/tropical que o albúm nos prometeu, foram seguramente estes dois sons que o permitiram fazer.

All in all, saímos de lá bem mais dispostos do que entrámos. De sorriso na cara, sem aquela sensação de “soube a pouco” e ainda meio electrizados por todo aquele carisma extraordinário. É impossível não nos questionarmos sobre os motivos da zanga de Adriano Cintra, deve ser difícil ficar chateado com estas miúdas! Mas é assim, the show must go on (ou, como disse mesmo Lovefoxx, “o show tem dji contxinuá…”).

Texto: Filipa Casulo

Fotos: Bernardo Gramaxo

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