O dia 2 começou de forma mais tranquila e mais cedo também. Sabíamos que os Salto iam estar na Sala Vodafone a partir das 20h e resolvemos ir lá vê-los, até porque àquela hora não havia ainda nada a tocar nas outras salas. Os Nortenhos estavam claramente cansados da azáfama do dia anterior, no entanto, foram a banda vencedora no que tocou a encher aquela pequena Sala. Dali fomos aos Restauradores ouvir a banda de “Quinta Feira”, os doismileoito, que davam um concerto para uma estação bem composta, provavelmente toda ela de barriga cheia do jantar. A pronúncia é inconfundível,  não há dúvidas sobre a origem destes quatro, que por entre percussões e guitarras nos entregavam o último registo Pés Frios. Seguimos para o São Jorge, queríamos chegar cedo ao São Jorge, Oh Land ia começar e já estava anunciada a grande afluência. Antes ainda espreitamos EMA, que encanta os parcos presentes com a sua atitude rock e letras corrosivas. São mais novos do que eu pensava, mas o que é que a idade interessa?

Corro escadas acima, a fila já se começa a formar, mas felizmente consigo entrar ainda antes de Oh Land pisar o palco. Sento-me, confortavelmente e esperámos uns bons 5 minutos até que a Escandinava estreasse o seu projecto em Portugal. E que estreia. O São Jorge apinhado, com muita gente de fora, recebeu de braços abertos “Son of a Gun” (um dos momentos altos do concerto), “Rainbow” e “White Nights”. Um conjunto de balões brancos enfeitavam o horizonte, a realçar a pureza quase ingénua com que a Dinamarquesa encantou os presentes. Revelou-nos que tinha passado 3 dias em Lisboa, e que tinha andado de Segwai, enquanto comia “pástheis de bélém”. Foi com o peito cheio e um sorriso rasgado que saímos antes de acabar para nos dirigirmos a James Blake, que meia hora antes de começar, já tinha fila com 60 pessoas. “Tem de ser” diziam muitos, “James Blake é James Blake!”. Confirma. Já o concerto tinha começado quando finalmente entrámos, o Britânico já tinha sobre hipnose o público que preenchia todo e qualquer espaço do Tivoli. A música é introspectiva, talvez por isso, quando alguém se entusiasmava e cantava, se ouvissem alguns “xiuu”. Exagero, secalhar, mas a verdade é que toda a gente se respeitou. Ouviu-se “Limit to Your Love”, “The Wilhelm Scream” e a incrível “CMYK”. James Blake é, oficialmente, um culto aqui em Portugal. Um dos grandes, a quem já ninguém fica indiferente.

Mas ainda vai haver Toro Y Moi, outro miúdo que ainda há tempos veio ao Musicbox (e segundo sabemos, não chegou a encher o espaço), agora cria filas à porta do São Jorge. Mais composto e seguro, a imagem que passa já não é aquela de totó. Tem uma camisa, cabelo cortado segundo a última moda e uma confiança inabalável. Entra com mais três pessoas em palco, tocam músicas para dançar como “Still Sound” (um vício nosso), “Talamak” ou “New Beat”. O som, como nos dizia um amigo, “estava com uma jarda” gigante, facto com o qual concordamos em pleno. Mas a noite para nós não acabava aqui, porque ainda queríamos ir ao tradicional autocarro, para ouvir Os Velhos. Podíamos descrever por palavras o que é entrar num autocarro, estar tipo sardinhas enlatadas, para ouvir “Senhora do Monte” enquanto gritamos a plenos pulmões, mas como temos um vídeo, mostramos isso:

Até para o ano Mexefest

João Pacheco

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