E cá estão, os 10 primeiros!

10. Azari & III – Azari & III

Os Azari & III são canadianos e lançaram este ano um trabalho energético e inconfundível. Fazem um neo-house, ou house, daquele que se carrega no play e não dá para parar. Vêm de Toronto e a sua maior força está nos dois vocalistas que são autênticas máquinas de palco, Fritz Helder e Cedric. Um dos mais infecciosos e marcantes temas deste álbum foi a música “Maniac”, que tem tanto de bom, como de inesquecível. Também este ano, fizeram-nos uma visita, ali no Lux, e foi também, sem dúvidas ou second thoughts, um dos melhores concertos do ano.

9. M83 – Hurry Up, We’re Dreaming

O produtor Anthony Gonzalez prometeu que o álbum iria ser épico. E a palavra assenta-lhe que nem uma luva. Um duplo CD que nos leva numa viagem ao centro de um mundo esquisito e fantasioso criado pela pós-electrónica dos m83. Uma odisseia que merecia nunca acabar, muito por culpa dos infecciosos sintetizadores e das fantásticas melodias. Uma verdadeira lufada de boa disposição.

8. The Rapture – In The Grace of Your Love

In the Grace of Your Love é um aviso sério de uma banda que amadureceu, que sabe o que quer do futuro e ficou melhor com o tempo. Agora já não temos aquela banda rock que ficou perdida no longínquo ano de 2006. Temos uns The Rapture crescidos, com mais atenção para o pormenor e mais dedicados a fazer verdadeiros hinos do indie rock. Um álbum que nos faz lembrar o quanto faziam falta no panorama musical.

7. Metronomy – The English Riviera

Os Metronomy tinham neste álbum um verdadeiro teste. A seguir ao fantástico Nights Out, o trio separou-se e juntaram dois novos membros. O som teria todos os ingredientes para sair modificado e saiu. Mas se algo aconteceu, foi para melhor. The English Riviera leva-nos para a beira mar, diz-nos que indie pode ser divertido, simples e ter um baixo inacreditável. É, inegavelmente, um dos grandes álbuns deste ano.

6. Nicolas Jaar – Space is Only Noise

Nicolas Jaar é, nesta altura, um nome incontornável no mundo da música. Este álbum é como soaria o espaço se de facto soasse a alguma coisa. Electrónica subtil, vozes por vezes poéticas e muito, mas mesmo muito groove fazem desta estreia uma das melhores do ano.

5. Bon Iver – Bon Iver

O álbum homónimo de Bon Iver,  sucessor do aclamado For Emma, Forever Ago (2007), chegou com grande antecipação, trazendo na bagagem o estilo deliciosamente gélido e melancólico, com o falsetto tranquilizador e ‘torcedor de corações’ de Justin Vernon a puxar-nos lágrimas indigentes.

4. Gil Scott-Heron & Jamie XX – We’re New Here

Jamie XX, o prodigioso produtor dos The XX entregou um dos melhores álbum do ano, numa inesperada colaboração com o lendário Gill Scott-Heron, com remisturas das 13 faixas do seu álbum We’re New Here, o primeiro em 13 anos de silêncio. “NY is Killing Me”, “I’ll Take Care of U” ou “My Cloud” são exemplos perfeitos de soul combinada com ambientes electrónicos construídos por sub-graves recortados, teclas ácidas e dispersas, vozes digitalmente alteradas e contorcidas em espirais aquosas.

 

3. The Black Keys – El Camino

El Camino, segundo a banda, é somente o nome da carrinha que aparece na capa. Foi por pura coincidência que acabou por demonstrar o quão no bom caminho os The Black Keys estão. Músicas como “Lonely Boy” ou “Gold On The Ceiling”, neste pacote inacreditável de boas canções ao velho estilo rock blues, mostram que os The Black Keys são, sem sombra de dúvidas, uma das grandes bandas da actualidade.

2. The Weeknd – House of Balloons

Os The Weeknd, banda R&B de Toronto liderada por Abel Tesfaye, rapidamente conquistaram a atenção do mundo ao lançarem House of Balloons, a enigmática primeira parte do tríptico vanguardista. ”Loft Music”, “Wicked Games”, “The Morning” e o fenomenal “What You Need”. Em todas elas um factor comum, frases atiradas sedutoramente, elementos resgatados ao R&B da década de 90, groove hip hop e batidas lo-fi densas e suadas como feromonas, samples inebriantes em tensão sexual prestes a explodir em vocais ardentes que escorregam gota a gota como mel.

1. James Blake – James Blake

James Blake dá seguimento às suas explorações pós-dubstep tímidas e introspectivas, com rendições singelas ao piano e vocais de intensidade acutilante que produzem o efeito ‘soco no estômago’, fundindo a nostalgia de Bon Iver, com o sofrimento de Antony Hegarty e a soul experiente de Mayer Hawthorne. Melodias capazes de puxar pelos sacos lacrimais, narrativas parcas e apontamentos electrónicos singulares com pedaços industrias e outros mais pop, batimento cardíaco entrecortado, vocais ora distorcidos ora em carne viva, baladas intrincadas de vulnerabilidade e emoções à flor da pele.