O trio norte-americano Megafaun vem hoje pela primeira vez a Portugal, para apresentar o seu mais recente disco “Megafaun”. A abrir vão estar os Alto!, projecto Português com o selo da Lovers & Lollypops, que vai estar a apresentar o seu álbum de estreia homónimo.

A Punch Magazine não quis perder a oportunidade de entrevistar os Megafaun. Diz que são simpáticos e a música é bem agradável. Quem falou connosco foi o Joe Westerfund e aqui ficam alguns dos segredos da banda!

Qual foi a tua primeira experiência com a música?

O meu pai levou-me a ver o Taj Mahal quanto eu tinha cinco anos. Não me lembro de muito, talvez uma das músicas que ele tocou e apenas porque o meu pai a cantava para mim durante anos depois desse concerto. A minha mãe também tocava piano na igreja quando eu era mais novo. Eu ouvia-a praticar imenso em casa e o meu Pai costumava tocar air bass ao som dos Beatles. Essas são as memórias mais intrínsecas e antigas que tenho envolvendo música.

De onde vem o nome Megafaun e onde é que se conheceram?

Megafaun pode significar aquilo que vocês quiserem que signifique… essa é a ideia. Nós estávamos interessados em ter um nome de banda que evocasse uma espécie de imaginário subtil, mas que fosse algo vago também. Eu gosto de ouvir o que as outras pessoas acham que significa. O Brad e o Phil conheceram-se através dos Pais e eu conheci-os aos dois num jazz camp da secundária, no Wisconsin. O Phil foi no primeiro Verão que lá estive e o Brad esteve lá no segundo. Desde o início, a música era a pedra basilar da nossa amizade. Tudo o que fazemos hoje é uma extensão desses primeiros dias juntos. Estarmos aptos a partilhar o nosso amor pela música e uns pelos outros, num palco, todas as noites, continua a ser tão genuíno e excitante como sempre foi.

Nomeia um artista que deveria ter uma rua em sua honra.

Eu preferia que fosse um museu interactivo de qualquer espécie, gosto da experiência “projecto de música”. Vamos fazer um para o compositor Francês Luc Ferrari. Podíamos montar um estúdio de gravação falso que tivesse todas as samples da sua peça “Music Promenade”. Uma pessoa podia perder um bocado a fazer uma re-edição dos sons à sua própria maneira, para entender os elementos com que ele tinha trabalhado e o quão incrível é a sua atenção para o detalhe. Isto era apenas uma de muitas exposições… talvez pudessem existir também uma série de salas que emulassem diferentes atmosferas sonoras, vindos de colunas escondidas pelos cantos… atrás de modelos de árvores, camiões do lixo, lagos, feiras ou cenas de circo específicas. Toda a gente teria um gravador de mão e uns headphones, para testar diferentes ângulos e técnicas de microfone. Depois íamos para estúdio processar as gravações com um pequeno pedal de efeitos. Por outro lado, se calhar toda a gente devia fazer isto, não só num museu, mas na vida real. Nunca mais alguém ia dizer “estou aborrecido”.

Há algum álbum que estejas ansioso por ouvir?

O meu irmão mais novo toca bateria nos Bowerbirds. Eu estive no estúdio durante um dia quando eles estiveram em gravações e ouvi algumas das partes que eles estavam a construir: baterias, guitarras, vozes, etc. Mal posso esperar pelo produto final. O meu irmão começou a tocar bateria uns anos depois de eu ter começado e é uma constante fonte de inspiração para mim; sempre à procura da melhor ideia para cada música

Qual foi o vosso episódio mais bizarro como banda?

Estávamos a conduzir pelo Wyoming na nossa última tour. Viagens longas sem concertos durante uma série de dias. Aquela parte do País é tão vasta e silenciosa. É mesmo bonita, mas ao mesmo tempo algo assustadora. Parámos numa pequena vila aleatória, no meio do nada, para comer e dormir. Tentámos entrar num pequeno bar próximo do hotel chamado “Saddle Light”. Para nosso contentamento, era noite de karaoke. Toda a gente olhava para nós quando entrámos, o que era expectado dado nenhum de nós ter chapéu de cowboy na cabeça. De qualquer forma, estes estranhos rapidamente nos acolheram e ficaram muito interessados no facto de sermos uma banda. Insistiram para que cantássemos um bocado, por isso cada um de nós escolheu uma música e começámos a entreter a plateia com versões de “We’re Gonna Hold On” e “Light My Fire”. O grande momento veio quando o Phil chegou-se ao micro para cantar uma ternurenta versão da “Three Wooden Crosses”, do Randy Travis. Foi aí que começaram todos ao soco. Toda a gente a lutar, menos nós e um casal que tentava encorajar o Phil ao dançar carinhosamente em frente a ele. Era difícil de dizer como ou porque é que a pancadaria começou e como não havia sinais de que ia parar, saímos do bar mal a música acabou.

Menciona as 5 músicas favoritas e explica porquê em poucas palavras

1. “Here Comes the Sun”, Beatles

É uma das primeiras canções pelas quais me apaixonei. Tinha acabado de comprar a minha primeira aparelhagem com leitor de CD. Comprei com a ajuda dos meus pais, em Abbey Road. Com 12 anos, fiquei imediatamente viciado no período mais tardio dos Beatles. Penso que é universalmente uma das canções mais confortantes alguma vez criadas.

2. “Lifeboy”, Phish

Esta música mudou a minha vida quando andava no oitavo ano. Tinha ando a ouvir muito rock alternativo até aquele ponto… Coisas com mais influência punk. Phish trouxe-me para um mundo de música rock com uma sensibilidade, dinâmico e um maior nível de sofisticação musical, o que eventualmente me levou para o caminho do improviso, uma prática com muitas aplicações e níveis de abstracção.

3. “I am Trying to Break Your Heart” Wilco

Este tema provavelmente mudou a minha direcção musical. Até então andava obcecado com música experimental e avant-jazz na universidade, quase ao ponto de perder o interesse no rock e na pop. Quando percebi como é que eles estavam a usar técnicas mais avançadas no contexto da pop, formou-se o meu interesse por usar estas possibilidades.

4. “Fruits of my labor” Lucinda Williams

Foi a primeira música que eu vi a minha mulher a dançar. Nós ouvimos bastante Lucinda e até chegámos a usar alguns dos seus temas no nosso casamento. Ela também foi “responsável” pela banda sonora dos nossos cinco anos na Carolina do Norte. Engraça como certas músicas, se encaixam em certos lugares, até períodos mais longos. Agora por exemplo oiço muito mais vezes Beach Boys, depois de ter vindo viver para Venice Beach, o grande bairro de surf de Los Angeles! (risos)

5. “The Night They Drove Old Dixie Down”, Joan Baez


Este tema é um autêntico hino! Não conheci uma pessoa na minha vida que não se contraia de emoção quando ouve esta canção. É tão devastadoramente triunfante, ou tão triunfantemente devastadora…ou talvez seja as duas.

O que é que podemos esperar do vosso concerto em Lisboa?

É o nosso último concerto da tour que, até agora, foi a melhor tour de sempre para nós. Podem esperar-nos muito entusiasmados por estarmos pela primeira vez em Portugal. Podem provavelmente esperar por uns Megafaun a explodir de energia, já que depois vamos ter pela frente um voo de 9 horas…!!!! O Nick também tem andado a fazer um estranho movimento pélvico a empurrar uma taça com laranjas, nos nossos últimos concertos.

Punch Magazine

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