Filipe Sambado, membro integrante dos Cochaise e produtor do álbum Até Morrer d’Os Passos Em Volta, dedicou-se a uma construção catártica, solitária e obscura do projecto/EP Isto é coisa para não voltar a acontecer, que foi solto para as garras do mundo, podendo ser descarregado gratuitamente, desde ontem. Ao ouvir este EP em primeira mão, a Punch considerou inevitável ir ao encontro do Filipe e do seu tumultuoso processo criativo.

De onde surgiu a necessidade de compor e gravar sozinho este EP, fora dos Cochaise?

O EP foi feito como um exorcismo, como uma catarse, para libertar alguns sentimentos e não foi feito para sair para lado nenhum. Comecei a compor as musicas porque me separei e tive a necessidade de o expressar de alguma forma. Então, quando acabei as bases das canções, achei que devia mostrá-las, achei que estavam com qualidade suficiente para isso e comecei, então a gravar o disco. Não foi com o intuito de me afastar dos Cochaise, até porque não tenciono fazer uma carreira a solo, por funcionar melhor em banda.

Como foi o processo de gravação do EP?

O processo foi curto, isto aconteceu há quatro meses e o disco foi composto no espaço de duas ou três semanas e depois demorou mais tempo a gravar porque eu quis contar com a participação de alguns músicos, como o Cão da Morte, o Éme, a Júlia Reis de Pega Monstro, o João de Cochaise, o Nuno Carrolo de Uruguai. Esta espera durou mais ou menos um mês, mas foi fácil gravar o EP e ter alguns meios técnicos facilitou muito, também. A fotografia da capa é da Rita Barbita. Este EP reflecte muito a influência das pessoas com quem me dou. Nesse sentido, sou influenciável, até porque eu não pesquiso música, logo oiço aquilo que me mostram/recomendam e eu retiro muito disso, acabando por ter grande impacto naquilo que estou a compor ou a desenvolver. O processo de composição deste disco foi diferente e mais natural, talvez por ser muito pessoal, visto que em Cochaise acaba por ser mais progressivo, experimental e apoiado na colagem de muitos sons, tendo como base o conceito de desvirtuar conceitos. Lembro-me de ter sete anos e perguntar ao meu pai o que é que os DJs faziam e ele dizia que eram pessoas que misturavam música e eu dizia que eles tinham mesmo de misturar a música, literalmente, ou seja, pôr as duas músicas a tocar ao mesmo tempo e fazer com que isso soasse bem. Deste modo, neste disco, a música surgiu de forma mais fluída, honesta e pura, sem invalidar a minha outra maneira de trabalhar, são simplesmente modos diferentes.

Quais são os planos associados à saída do EP?

Os planos são fazer uma apresentação do disco, com dez concertos (cinco em Lisboa, cinco pelo país) com uma banda de suporte e outra banda convidada. Por Outubro, espero já ter ter como terminado este exorcismo.

Se o teu EP fosse uma cidade, que cidade seria?

Lisboa.

ENTREVISTA: Rodrigo Soromenho Marques

FOTOGRAFIA: Ana Quintino

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