Chegámos à invicta, estava o jogo a começar e nós também estávamos curiosos. Comemos, vimos a bola e seguimos a passo apressado para a Garagem Vodafone, onde os Capitão Fausto já iam a meio (antes tinham tocado os Best Youth, num concerto “muito forte”, terão-nos confidenciado os presentes). Os Lisboetas, que no ano passado lançaram o álbum de estreia Gazela, encantavam uma plateia nem a meio gás, onde se viam muitas caras já conhecidas de outros concertos da banda. Competência é a palavra de ordem, onde as músicas caem em jeito de catadupa e o público parece conhecer o álbum de trás para a frente. “Teresa” é claramente a preferida da plateia, onde os coros surgem sobretudo nos refrões. Saímos e fomos em direcção ao Coliseu do Porto, onde Niki & The Dove já tinham começado. Um sentimento agridoce quando vemos que apenas as primeiras duas filas estavam completas e umas outras manchas de pessoas a fazer desta plateia a mais parca de todas. Em palco, apresenta-se o duo mais dois bateristas, numa redoma de fumo e baixos bastante puxados para cima. Uma voz carregada de reverberização e eco, que hipnotizava os presentes, num concerto bastante morno. A verdade é que o palco era demasiado grande, o que torna a tarefa bastante mais complicada para os Suecos. Falaram pouco, acabaram por ser simpáticos no final e revelaram uma fantástica atitude face à grande clareira com que se deparavam.

Dirigimos-nos calmamente para o Cinema Passos Manuel, onde os Salto iam começar a tocar e “com surpresas”, dizia o guitarrista através do facebook horas mais cedo. Quando entramos, já não haviam muitas cadeiras vazias e a ansiedade já se sentia, com as primeiras filas a tentar impor umas ondas, ao bom estilo futebolístico. Entraram em palco, abriram com o mais recente single “Deixar Cair”, música que entretanto já roda na Vodafone FM. Eram poucos os que conseguiram ficar sentados perante os contagiantes apelos do guitarrista Luís – “Como é que é pessoal? ‘Tá tudo a curtir?!”. Seguem-se, entre outras claro, “O Tempo que Mudou”, “Sem 100″ e “Deixar Cair”. Quando grande parte já se dirigia para King Krule, a dupla anuncia uma nova música a fechar a noite, “Também Não Vês Futebol”, uma das que vai figurar com certeza no álbum de estreia. Atravessámos a rua e vamos ver King Krule, que já se fazia ouvir bem alto, mas com demasiado eco à mistura. Apesar de ser uma das características da música, era completamente imperceptível o que o ex-Zoo Kid nos estaria a comunicar, o que tornava a relação banda-plateia bastante mais fria. Ainda assim, os 4 jovens (e que jovens) elementos da banda entregaram-se e tocaram uma cópia fiel dos ambientes sonoros criados no EP. Muitos assobios para os êxitos “The Noose of Jah City” e “Out Getting Ribs”, que de resto, fechou o concerto.

Chegava então o concerto mais esperado da noite, St. Vincent. Sala cheia, muita gente sentada (alguns resistentes de pé, porque este concerto “não é para se ver sentado”) e uma banda pronta para arrebatar com as expectativas, que por si só já eram altas, muito por causa do último álbum. É espantoso ver o quão Annie Clark, com aquela amabilidade ternurenta e sonoridade que constrasta conseguem pôr uma casa inteira de pé (ainda que tenha sido a pedido especial da vocalista). Músicas que surgiam em modo rock viril, mas com uma cristalina voz a serpentear por entre as fartas melodias, como em “Surgeon” ou em “Cruel” (que foi precedida por uma sucinta explicação do videoclip). Momento ainda para Annie se juntar ao corredor central, com a sua guitarra a continuar, ainda que do meio da multidão, que já se empoleirava para poder espreitar a ocorrência. Uma ovação tremenda quando acabam e uma saída bastante civilizada para se ir ver a última banda da noite, Supernada, o fenómeno temporal de Manuel Cruz.

Sala cheia, fila à porta (a primeira da noite) e uma aplicação da Vodafone a indicar casa cheia. A verdade é que toda a gente acabou por entrar e pôde ver o mítico Manuel Cruz de tronco nu a cuspir poesia em bom Português, com uns Supernada a demonstrar as razões que os levaram a editar (finalmente) um álbum, perante a casa mais cheia da noite. O Sá da Bandeira não se contia de felicidade por ver a banda Portuense a mostrar dez anos de amadurecimento.

A festa seguiu-se pela noite fora no Pitch, mas como hoje havia mais concertos, decidimos acabar a noite um pouco mais cedo. Em jeito de embrulho, chegámos à conclusão que o grande concerto da noite terá sido mesmo o de St. Vincent, com as bandas Portuguesas também elas a mostrar muita genica, mais uma vez.

João Pacheco

Fotos : Miguel Leite

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