Texto e entrevista por Ricardo Quintela

Este Walter Benjamin não é fácil. Não que o filósofo moderno, ligeiramente mais conhecido que o músico contemporâneo, o fosse. Ambos dão luta, ambos nos fazem pensar na vida. Um porque a questiona, outro porque – através da música – nos leva para esse estado de espírito.

Façam-se primeiro as apresentações.

Walter Benjamin: músico português que diz ter nascido no mesmo dia (24 de Maio) de Bob Dylan.

Presumimos que só partilhem o dia e o mês, porque o ano torná-lo-ia um vetusto septuagenário, passe a redundância.

Em 2008 lançou o seu primeiro álbum, de seu nome The National Crisis (Merzbau). Na altura, foi apelidado pela crítica como “intimista” e “cândido”, um tipo que parece entrar de pantufas na divisão e que começa a cantar baixinho, só para nós.

Desde então lançou vários EP e parece ter viajado significativamente. O que mudou, desde The National Crisis (Merzbau)? Bem, em 2012  traz-nos The Imaginary Life Of Rosemary And Me um disco que continua a soar a indie/folk/pop. Os sussurros ainda lá estão, a candura (por vezes até parece timidez. Será?) também parece não ter desaparecido. Mas também já existem uns devaneios de alegria pelo meio, como se constata logo na segunda faixa e single do disco, High Speed Love.

Airports and Broken Hearts é outro single a reter:

A sensação que fica é que Walter Benjamin podia ser um daqueles nossos amigos que tocam quando nos juntamos. Este, por acaso, teve acesso a mais equipamento e gravou umas coisas que até são (bastante) simpáticas.

Não digo isto com maldade. É bom existirem músicos assim, que nos façam sentir bem e confortáveis. The Imaginary Life Of Rosemary And Me é um disco porreiro, na verdadeira acepção da palavra. Bom para ouvir ao final de um dia cansativo; no carro, numa daquelas viagens de auto-reflexão; para quem goste, a ler um livro.

Tem bons músicos (segundo o myspace) oficial: Walter Benjamin na guitarra, piano e voz; João Correia (dos Julie and the Carjackers, com quem participa aqui na bateria e voz; Nuno Lucas no baixo e voz; Manuel Dordio na slide guitar e Bruno Pernadas na guitarra eléctrica.

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