O Ritz Club, sítio de má fama nos anos 60 e 70 e também de muitos concertos nos 80 e 90, voltou.

Faz sentido: os portugueses voltaram a levar o almoço para o trabalho, ter um carro voltou a ser um luxo; os transportes públicos voltaram a escassear; voltámos a ter que fazer durar um par de sapatos; voltámos a ter liguilhas no futebol; por mim, podiam voltar o MacGyver e o Knight Rider também.

O espaço está apostado em inovar e ser conotado com as novas gerações. A prová-lo estão dois concertos agendados para 1 e 2 de Junho.

No primeiro, actua Matt Elliott, com a sua voz distinta a fazer lembrar Leonard Cohen (perdoem-me os puristas). O britânico traz-nos o álbum “The Broken Man”, com melodias menos ruidosas que as dos registos anteriores. Vão existir coros, campainhas e guitarras distorcidas. A primeira parte fica a cargo de Gobi Bear, um rapaz que se afirma como genuíno e que faz da guitarra e da simplicidade os seus trunfos no palco. O preço, esse malvado, fica-se pelos 12 euros.

No dia 2, sobe ao palco a cantora-escritora-actriz-formidávelfazedoradetorradas Lydia Lunch, que se define como esquizofrénica musical. Em constante mutação e sempre à procura de novos colaboradores na exploração dos limites musicais, Lunch faz-se acompanhar pela diva underground italiana Beatrice Antolini nas vozes e percussão. É uma noite de spoken word à moda antiga, cheio de estrogénio.

Noite que segue com Mário Valente e Señor Pelota transfigurados no Glam Slam Dance. Breakbeat, electro, techno, punk funk e nu-disco. Aqui já vai valer de tudo para agitar a pista de dança. O valor sobe ligeiramente neste dia, para 15 euros

Ricardo Quintela

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