É com alguma ansiedade que abro o novo álbum de Ladyhawke e não quero com isto parecer engraçadinho. A neo-zelandesa Pip Brown é, ainda, uma das vocalistas mais interessantes desta era da pop-electrónica, muito porque tinha feito uma das músicas mais catchy do verão de 2008, “Paris Is Burning”, em que versava sobre o quão fogosa andava a capital do amor. Ela que curiosamente se deu a conhecer com os vizinhos aussies Pnau, uma daquelas bandas que ninguém percebe muito bem como é que nunca ficaram na moda, através do single “Embrace”.

Anxiety revela-nos que os últimos quatro anos não devem ter sido fáceis para Pip, com a chuva de expectativas que havia depois do sucesso do primeiro álbum. Neste novo registo a neo-zelandesa resolveu esquecer os sintetizadores e fez tudo à maneira antiga, juntando apenas um ou outro órgão. O resultado é um álbum mais directo, mais pop-rock que electro-pop e de alguma forma algo mais boring.  Não me parece um tiro ao lado, até porque pelo que tenho visto há pessoas que gostam do álbum (sem adorar, isso é certo), mas isto já não é a Ladyhawke de “Paris is Burning” ou “Back To Van”. O primeiro problema é mesmo esse, não há uma música que verdadeiramente se destaque das outras todas, mas se formos ver as que quase fazem o serviço, há uma porrada delas. É o single “Sunday Drive”, com os seus órgãos vintage ou “Black White & Blue”, que até tem um riff catchy, mas tem claramente um minuto a mais. É “Vaccine” que tem um build up fantástico ou “Cellophane” que é a única cuja letra foge à melancolia derivativa e à incessante procura do sentido da vida. Mas hit hit, nem ver.

Com isto não quero dizer que acho este álbum é péssimo. Porque não é. As melodias até são catchy e ele parece crescer de cada vez que o ouço, mas isso é algo que acontece com qualquer disco. No entanto, há músicas que até podia ouvir o dia todo, que não iam causar comichão alguma, tipo a desinspiradíssima “Blue Eyes”, com um refrão que é ‘lalalala’ do início ao fim. A constante distorção das guitarras, a insistente descarga de força bruta na percussão e o retumbante baixo marcam os pontos altos. Os pontos baixos são sem dúvida a limitada imaginação, a monótona (e algo sonsa) voz de Pip Brown e o facto de não ter uma música que tenha o papel de porta-voz.

Nisto tudo, ficamos com um sabor meio amargo por vê-la perder-se no mundo rock por falta de abilidade.  Se há músicas giras para ouvir? Há. Mas se alguém vai ouvir este álbum daqui a um mês? Claro que não. Anxiety vai ser (espero) aquela ovelha negra da família de registos da Ladyhawke, aquele que marca a altura em que Pip Brown terá ficado sem ideias e precisava mesmo de lançar um álbum para não cair no esquecimento. Sem ser um tiro ao lado, é pouco para quem esteve quatro anos no casulo.

Ladyhawke – Anxiety (6/10)

João Pacheco

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