Chegámos ao recinto do Optimus Alive a tempo de apanhar a girls-band californiana Dum Dum Girls no palco Heineken. Lá estavam as 4 raparigas vestidas de preto, em todo o seu esplendor lo-fi e barulhento que as caracteriza. Entre a plateia a meio-gás vimos uns compatriotas com uma bandeira “California, Dum Dum Girls”, coisa que a baixista fez questão de reparar e apontar. Pouco faladoras, mais viradas para a parte de tocar música, chegaram a horas (até demasiado cedo, porque ficaram 5 minutos a fazer tempo na parte lateral do palco). A banda desfilou o seu noise-pop aprumadinho salpicado de praia aqui e ali, com maior destaque para as malhas do mais recente álbum Only in Dream. Especial destaque para as nossas favoritas, o sonhador “Bedroom eyes”, “Coming Down” ou ainda “It only takes one night”, do disco de estreia I Will Be.

No palco principal já tocavam os Refused muito faladores (talvez da ressaca de tantos anos de paragem) e com muitos fãs antigos. Explicaram quase todas as músicas, grande parte por motivos tirados dos anos 90 (altura em que a banda era activa). Demasiada emoção para nós, que fugimos de volta para o palco secundário onde Mel do Monte, a vocalista dos Miúda, já entrava com os seus reduzidos calções em padrão de zebra (talvez influenciada pelos LMFAO?). A banda formada por Tiago Bettencourt, Fred (Orelha Negra) e Pedro Puppe trouxe bastante gente, talvez a fugir da avalache sónica debitada pelos Refused ou pela curiosidade de ver aquela frágil figura loira em palco com voz de… mel. O concerto começou em registo de canção de embalar, bem calminho com “Enquanto”, passando para o romântico e intimista “Meu Amor”, dedicado a todas as caras-metade presentes. O single “Durmo com quem eu quero” roubou a maior fatia de aplausos. Era de esperar, sendo uma das canções mais conhecidas e face à sua letra de emancipação no feminino. Chegou “Cidade”, mais um tema extraído do EP de estreia, sussurado e dançado de braços ondulados no ar. Pausa para novidades. Os Miúda apresentaram 3 novos temas e acordam a plateia com o rockeiro “Chicote’, com guitarras acesas e vocais acelerados, “Ténis” com a sua letra meio palerma mas divertida, recheada de pads e teclados corrosivos, que despertou a dança por todo o lado e “Desencontros” (adivinhamos nós, porque o título não foi revelado). No final, tempo para repetição do single inaugural em jeito de despedida.

Pausa para agarrar umas cervejas a muito custo, tal era a massa de gente. Seguimos com alguma dificuldade para um dos concertos mais concorridos da noite. Os norte-americanos LMFAO foram responsáveis por uma das maiores enchentes. Seleções sub-12 aos montes, acompanhadas por pais com ar perdido, todas vestidas a rigor com padrões animais, óculos coloridos sem lentes e máscaras de shuffle bots (a mascote da banda). Apesar de não sermos os maiores fãs da banda fomos engolidos por esta explosão de adrenalina. Redfoo, uma das metades do duo, voltou a não estar presente (já no concerto do Coliseu tinha faltado), por se ter magoado nas costa de tanto ‘wiggling’. Mas não fez falta, Skyblu com a sua afro e trupe de bailarinos esteve à altura na sua mistura de electro-hip hop e house incendiário. Letras e coreografias hiper-sexuadas, zebras e palmeiras insufláveis, chuva de serpentinas e confettis. Tudo contou para fazer a festa e entreter. Pelo caminho de tanta distracção colorida ouviram-se temas sabidos na ponta da língua como ”Sorry for Party Rocking”, ”I’m in Miami Bitch”, ”Shots” (com a colaboração de Lil Jon em fundo no ecrãn). Depois de dois encores, dois mega-hits guardados para o final, apontados como canhão ao público: os galácticos ”Party Rock Anthem” e “Sexy and I Know It”, com uma merecida battle de strip tease.

Na tenda ao lado a energia também disparava em todas as direcções. Com o seu techno característico e ar de empresário de poucos amigos, Mike Levy conseguiu pôr o Palco Clubbing em altas desde o primeiro minuto. Numa performance sem máculas o DJ berlinense demonstrou o porquê de usar blaser, tal foi a elegância com que foi distribuindo malha atrás de malha para delícia dos presentes. Para os amantes da música electrónica e todos aqueles que não quiseram assistir à musica comercial dos LMFAO, Gesaffelstein provou ser um momento à altura do melhor que se viu no palco Clubbing do primeiro dia do Optimus Alive

Com o final dos LMFAO conseguimos arranjar espaço para respirar com Santigold, com uma plateia saudavelmente composta. A rapper natural de Filadélfia abriu com “Go”, em tom de marcha bélica, do último álbum Masters of My Make-Believe. Santi White deu um espectáculo de grande qualidade com doses iguais de pop, dub, electronica, hip-hop, reggae fusion e new wave. “L.E.S. Artistes”,  ”Disparate Youth”, “The Keepers” ou “Freak Like Me” foram temas dançados e cantados até à exaustão. Mas o grande momento foi quando a cantora americana chamou dezenas de raparigas ao palco para ainda dar mais cor e movimento ao seu tema “Creator”, mas não sem antes avisar “Não é para tirar fotografias, é só para dançar”. Santi fez questão de colocar todos no mood certo antes do concerto dos Buraka, tendo inclusivamente terminado o concerto com o seu tema “Big Mouth”, que inclui o sample de “(We Stay) Up All Night”.

E volta o caos instalado. Pessoas até meio da zona de esplanadas para ver e ouvir o fenómeno do kuduro electrónico que virou internacional. Os portugueses Buraka Som Sistema voltaram ao Alive e trouxeram consigo na bagagem 3 álbuns editados e a sua energia interminável, numa conjugação de batidas inconfundivelmente africanas com movimentos corporais contagiantes que se alastraram a todo o Palco Heineken. A banda da Amadora fez questão de explicar “menos conversa e mais música”. É que o tempo era reduzido para tamanha agitação. Não deixou nenhum dos seus maiores êxitos por tocar e levou os presentes ao êxtase em temas como “Kalemba”, “Sound of Kuduro”, “Hangover (BaBaBa)”, “Yah” ou um provocador “Aqui Para Vocês”. Foi, como seria de esperar, um dos momentos altos do primeiro dia do festival arrebatado com o já esperado “(We Stay) Up All Night”, quase quase a terminar.

Romaria ao palco principal, porque os Justice já começam a abençoar-nos com a sua disco-house infectada. Foi sem dúvida o mais aguardado da noite, e a apresentação mais rápida, mas quem já os viu sabe que estes rapazes fazem sets curtos mas intensos! Foram cerca de 50 minutos  arrepiantes, gritantes e de simples euforia, com direito a pequenos “moches”, saltos, cânticos, baldes de cerveja pelo ar, e até algumas moças em topless que ajudaram a tornar este num momento absolutamente único para quem esteve na linha da frente. De “We Are Your Friends” a  ”Civilization”, passando por fragmentos de D.A.N.C.E. e “DVNO”, o intrépidos “Genesis” ou malhas fresquinhas como “Audio, Video, Disco”, ”New Lands” ou “On’n’On” este foi um momento glorioso de electrónica assanhada que só falhou por se ter apoiado unicamente na maquinaria digital sem direito a instrumentos ao vivo.

Zola Jesus, que teve o ingrato papel de tocar durante o concerto dos Justice, cantou para uma audiência bem mais reduzida. Mas um concerto que não deixou de ser especial, relembrando o goth-pop emotivo de Conatus e Stridulum. No final, a cantora Nika Roza Danilova foi ter com os seus fãs, ainda descalça, com quem falou durante 10 minutos.

Brodinski encerrou o palco clubbing e para quem vinha ainda da adrenalina de Justice, sabe que mais nada podia bater a espectacular apresentação dos franceses, mas também este francês soube encerrar este dia à sua maneira. Eram muitos aqueles que queriam dançar, por isso este set de Brodinski rapidamente se encheu de corpos enérgicos.

Texto: Pedro Lima, Daniel Campos, Laura Seabra, Vítor Gonçalves
Fotos: Dumitro tira

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