Ah.. Paredes de Coura, já tinhamos saudades. O rio Coura, o vale dos sonhos e um belo fim de tarde acolheu-nos neste primeiro dia, o dia 1 da 20ª edição do festival Paredes de Coura. Um ano que acaba por ser, de alguma forma, festejado sem a pompa e circunstância devida, muito por causa da crise, já que a Autarquia não pode apoiar com os fundos necessários para tornar este cartaz épico. Ainda assim, é nesta altura que mais precisamos de ir àquele que é o melhor festival de Portugal, mostrando desta forma a nossa necessidade em manter este festival vivo e de boa saúde.

Os Brass Wires Orchestra entraram a horas, com muita gente ansiosa por vê-los, até porque a hora é propícia a que esteja lá a grande massa que está a ocupar o campismo desde a semana passada. A chuva ainda ameaçou, de forma bastante subtil, mas decidiu ir chatear outras bandas (passa a expressão), pelo menos por agora. Olhando em volta, a plateia parece muito bem composta, talvez mais aconchegados por medo de uma ou outra nuvem mais feia. Os lisboetas abrem o concerto com algumas músicas originais, num estilo indie folk que bebe influências de nomes como Guillemots, Beirut e Mumford & Sons. Foram aliás estes dois últimos agrupamentos os escolhidos pelos Portugueses para tocar umas covers, a mostrar toda a capacidade musical dos Brass Wires Orchestra. São seguidas de “Love Someone”, a “música do amor” segundo o vocalista. Muitas palmas na última música, depois de uma emocionada apresentação da banda. A felicidade espelhada nos olhos do conjunto era clara e com motivos para isso, já que abriram o palco Vodafone FM neste primeiro dia.

Seguiam-se os Salto, a dupla agora tornada trio que vem directamente do Porto, com sangue na guelra e álbum de estreia no bolso. E que álbum este. Estes são daqueles que dá gosto ouvir e que devem ter com quase toda a certeza um Manuel Cruz bem atento na plateia, com os olhos brilhantes de emoção por ver que passados 10 anos, ainda há conterrâneos a fazerem música que soa a fresco. Abrem com “Por Ti Demais”, uma das grandes malhas do álbum (se é que se pode dizer que há músicas menos grandes), seguem com “Coração Bate Fora”, num primeiro pedido de coro por parte do público. Antes, falam da sua gigantesca paixão por Paredes de Coura, que terá sido um sonho de sempre. Nota-se algum esforço na voz do vocalista Guilherme, talvez por cansaço, talvez pelo frio, quem sabe pela emoção de ali estar. As músicas vão caindo de forma natural e a já farta plateia não se cansa de dançar ao som indie pop dançável do trio, que não está no entanto a conseguir afastar a chuva. “Vocês foram mesmo do catano. Viva a Paredes de Coura” antecede a deliciosa Sem 100, a fatia mais LA Beat dos Salto, uma música que respira de inspirações como Flying Lotus, que corta pedaços de Phoenix e recebe a voz lenta e enamorada de Guilherme. Acabam e despedem-se com “Deixar Cair”, não sem antes lançar um repto “aos que quiserem cantar”, que o fizeram sem apelo nem agravo, sobretudo na recta final, onde os músicos foram substituidos pela plateia, através do coro e das palmas.

Altura agora para ouvirmos os League, naquela que é a sua estreia em grandes palcos, pelo menos nos do grand slam. Para quem não os conhece, estes marmanjos das Caldas são uma das novas coqueluches Nacionais, um segredo não tão bem guardado porque até já têm dado nas vistas lá fora. Apesar de ainda só terem dois EPs na bagagem, os League já conseguiram pôr uma música na banda sonora da famosa série “Gossip Girl” e figuram na mais recente compilação dos novos talentos da FNAC. Entraram tímidos (e sairam dessa forma também, visto terem falado pouco ou nada com o público) mas mantiveram-se sempre competentes ao longo do curto gig. Apesar da música soar melhor nos EP’s, algo normal neste tipo de bandas mais electrónicas, passa de forma bastante enérgica para a plateia. Ouvimos as mais conhecidas “How Do I Know” e “Golden Maps”, que fazem levantar alguns braços mais informados, num pequeno coro de palmas tímido. Uma boa estreia, mas discreta para esta banda com uma margem de progressão muito, muito grande.

“Pois é, é um prazer tão grande estar aqui com vocês. É a minha primeira vez em Paredes, é uma estreia. Espero que sejam meiguinhos comigo dado ser um noviço” sucede a música de abertura, e precede “1998″. Como esperado, a plateia está calma, talvez embalada pela folk tranquila de B Fachada, que chama muita gente apesar da hora tardia para músicas tranquilonas. Uma pausa para lhe irem buscar “um objecto que lhe permite tocar em Dó nos vários sitios da guitarra” e ala para uma das músicas presentes em Criolo. Este Bernardo é falador e a sua maneira lenta e amorosa de falar vai fazendo as delícias do público. O músico usa e abusa dos samples neste novo álbum, bem como do afro-pop brincalhão e mexido, que estão representados magistralmente no single “Afro-Xula”. E que ninguém duvide, ele é um fantástico letrista e longe de nós dizer mal dele, mas entendendo a problemática em pô-lo a abrir o dia, não fizeram bem em pô-lo a começar a noite. Mas pronto, opções!

A noite seguiu depois com Joaquim Albergaria, um dos vocalistas/bateristas da peculiar banda PAUS, em modo DJ com um set pensado para aquecer a noite chuvosa. Amanhã há mais

Punch Magazine

(em actualização)

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