Enquanto chovem listas de melhores álbuns do ano que agora termina, a Punch dedica-se a olhar para o futuro e aponta-te a lista dos 100 artistas a manter debaixo de olho em 2015. Jovens estreantes que nos chamaram a atenção com singles ou EP’s incríveis e que, com maior ou menor discrição, observamos de perto desde então.

Se formos a ver pela lista de apostas de 2014, não ficámos longe dos artistas que mais impressionaram durante o ano. Mas este ano fomos ainda mais longe. Para além de destacarmos 25 nomes nacionais e internacionais, damos-te a conhecer 100 novos artistas que vais querer ouvir numa playlist para te dar horas de boa música. Por isso, sem mais demoras ou ordens de importância (até porque estamos fartos de rankings), damos início à selecção da equipa da Punch:

_______________________________________________________________________________________

Låpsley

Uma espécie de lado feminino de James Blake é, talvez, a melhor forma de definir o trabalho da jovem cantora e produtora Låpsley. As suas composições são um autêntico flirt entre a electrónica minimalista e um conjunto de experiências r&b, acompanhadas da sua voz nostálgica e dolorosa.

_______________________________________________________________________________________

Tãlã

Com inspirações no hip-hop e no R&B dos anos 90, a britânica TÃLÃ enaltece o pop tradicional a que estávamos habituados, assumindo o controlo da nossa mente, como um encantamento sedutor de sereia entre ondulações arábicas. Um som que explora tendências interpretadas por FKA Twigs e que se aconselha a conhecer no seu mais recente Ep, Alchemy.

_______________________________________________________________________________________

Honne

A dupla HONNE já se conhece desde a universidade. Provavelmente, uma das razões pela qual nos deram a conhecer um projecto de que se gosta do início ao fim e, também, pelo facto de nos custar parar de ouvir em loop. Donos de uma sonoridade que encontra um diálogo único entre um r&b sensual e batidas pegajosas de electrónica, perfeito para quem é vítima do cupido de Frank Ocean e James Blake.

_______________________________________________________________________________________

 

Shamir

O nativo de Las Vegas tem apenas 20 anos e junta na sua música melodias 80′s vibrantes, drum machines, synths incoerentes e percussão filiada na house de Detroit. O seu trunfo é timbre único de contratenor andrógino, reminiscente de Prince, de um Michael Jackson na pré-adolescência ou Alexis Taylor dos Hot Chip enrolado com a trupe de adoradores-disco Hercules and Love Affair. Na bagagem tem um dos melhores EP’s do ano, Northtown, e o aditivo single “On The Regular”.

_______________________________________________________________________________________

Juce

Georgia, Chalin e Cherish chegam em 2014 mas podia estar em 1994, com um revivalismo sem rodeios que bebe da sonoridade 90′s de nomes como TLC, Sugababes ou All Saints. Uma girls band que descreve a sua sonoridade retro-pop tingida de soul como intemporal, fresca e viva. Nós acrescentamos sensual e aditiva. Estas miúdas têm o poder de nos transportar até aos anos 90 com a suavidade e a rapidez de um comboio-bala. Prova disso são canções como “Call You Out” ou “(H)ours” incluídos no EP Taste the JUCE.

_______________________________________________________________________________________

Elderbrook

Projecto do produtor britânico Alexander Kotz que lançou em finais de Novembro, o EP Simmer Down, composto por três maravilhosas pérolas de electrónica downtempo — “Could”, “Rewinding” e “How Many Times”. Com uma voz melosa a lembrar Joe Newman dos Alt-j, o músico move-se pelos terrenos cool de Chet Faker, com texturas electrónicas cheias de soul relaxada que convidam a preguiçar em ritmos de percussão seca e aconchegante.

_______________________________________________________________________________________

Tieks

É o novo nome a reter nas paisagens florescentes da música de dança britânica. Mark Tieku, produtor londrino tornado cantor e co-autor de algumas das músicas dos Florence and The Machine, tem gerado alguma agitação com remixes de alto nível para nomes como Jess Glynne, Rudimental ou MNEK entre outros e rapidamente conquistou a atenção de tastemakers de peso como a radialista/DJ Annie Mac.

_______________________________________________________________________________________

Jack Garratt

O cantor londrino vai agradar a muita gente este ano. Com o excelente EP Remnants, que incluía singles brilhantes como “Water” ou o tocante “I Couldn’t Want You Anymore”, dificultou a vida aos críticos de música, com uma sonoridade difícil de catalogar. Com momentos de neo-soul, flirts de R&B intimista e até mesmo folk puro e simples, Garratt canaliza inspirações dispersas que vão desde a electrónica temperamental de James Blake, o falsetto a Jai Paul e James Vincent Mcmorrow, os pianos sensuais de Chet Faker e aos ambientes nocturnos de Damien Rice e Bon Iver.

_______________________________________________________________________________________

Klo

Os Klo são uma dupla formada por Simon Lam e Chloe Kaul, dois primos originais de Melbourne artesãos de beats solarengos e inspirados que traçam tangentes à sonoridade dos Bondax, AlunaGeorge ou até mesmo traços da voz desmaiada e sexy de BANKS (sem o lado sombrio) ou Lion Babe (sem a onda funk). As sonoridades luxuriantes e as melodias enfeitiçadas do duo surgem do cruzamento de dois universos. De um lado, os arranjos multi-instrumentais e imaginativos de Lam, do outro, a voz transcendente de musa de Chloe, igualmente responsável pelas letras.

_______________________________________________________________________________________

Isaura

Com apenas uma canção, “Useless”, a cantora portuguesa tornou-se uma das nossas grandes apostas para 2015. É fácil querermos aconchegar-nos na voz aveludada de Isaura, um híbrido de Holly Miranda e Daughter, que expõe a alma à mercê dos elementos, sem medo de fragilidades, acompanhada em passo de dança lento pela produção sublime e elegante de Raez e Cut Slack. Saudade, perda, desgosto amoroso, a fórmula perfeita para uma das melhores canções nacionais quase a terminar o ano e um excelente prenúncio do que está por vir.

_______________________________________________________________________________________

Aquilo

A dupla Aquilo, formada Tom Higham e Ben Fletcher, estrearam-se no universo da música com um EP homónimo, composto por 5 canções capazes de descolar os pés do chão e fazer sonhar bem alto. Uma fusão perfeita entre a electrónica downtempo e o R&B conduzido pelas vozes doces de ambos cobertas por um constante véu de melancolia. Definitivamente um nome a seguir de perto, em especial, para quem gosta de nomes como How To Dress Well ou London Grammar.

_______________________________________________________________________________________

Shura
Aleksandra Denton encantou-nos com “Touch”, conquistou-nos com “Just Once” e surpreendeu-nos com “Indecision”. Portadora de uma voz  delicada e sexy, talvez seja o instrumental cheio de clichés electrónicos tão apetecíveis que a torna numa das artistas mais promissoras da actualidade. Ainda nos custa recordar o concerto deste ano no Mexefest, pelo que aguardamos impacientemente pelo álbum.

_______________________________________________________________________________________

Soak

Apenas com 17 anos, Bridie Monds-Watson deixou as paredes do seu quarto algures na Irlanda e fez com que a sua voz se ouvisse em todo o mundo. Melodias encantadoras são repartidas entre a sua voz e a sua fiel guitarra, que nos deixam completamente maravilhados e, também, profundamente inspirados. Letras que falam sobre a vida e sobre a dor do amor mostram que, apesar da sua idade, Watson sabe fazer música de gente crescida.

_______________________________________________________________________________________

Raury

O nativo de Atlanta que, com apenas 18 anos, dá voz à geração “Indigo” e já é considerado como uma das grandes apostas no rap. O seu som alternativo combina guitarras acústicas com versos ritmados bem poderosos, por vezes cantados, o que lhe confere um estilo bem subtil. Já conta com colaborações com SBTRKT, Vancouver Sleep Clinic e até já marcou presença na banda sonora do filme Hunger Games. Com certeza um nome a manter debaixo de olho.

_______________________________________________________________________________________

Toulouse

O norte do nosso país está bem representado no panorama musical e os Toulouse são um bom exemplo disso mesmo. De Guimarães  chega-nos o Indie Surf de um trio, que com apenas dois singles, ”Tero!” e “Paloma”, já nos deixou bem atentos ao seu trabalho. Melodias descontraídas na guitarra e no baixo e uns versos cantarolados são a combinação perfeita para uma sonoridade que nos despertou de imediato a atenção. Para 2015 ficamos à espera de mais.

_______________________________________________________________________________________

James Bay

O rapaz que se esconde por detrás dos cabelos compridos foi quem nos surpreendeu com um folk tão cuidadoso que mal sabíamos nós o que nos esperava. Uma voz sussurrada contracena com os acordes, ora rasgados, ora dedilhados, da sua guitarra e o resto quase que se desvanece. Melodias que se colam de imediato aos nossos ouvidos e letras que nos deixam a pensar na vida são a sua especialidade, o que a nós nos parece muito bem.

_______________________________________________________________________________________

Basset Hounds

O rock português está de volta e o quarteto Bassett Hounds são a mais recente prova. O nome é uma analogia à raça de cães pois tanto nos apresentam um surf rock melódico/calmo como um rock psicadélico agressivo com guitarras pojantes. Uma diversidade que não só se ouve de musica para musica, como cada música em si pode apresentar registos diferentes, prova disso são “Swallow Bliss” e “13th Monologue”. O seu álbum de estreia, está para breve.

_______________________________________________________________________________________

Wolf Alice

Oriundos do Norte de Londres, os Wolf Alice são o segredo mais bem guardado de Inglaterra desde 2011. São comparados aos The XX ou aos Hole, mas a verdade é que têm o seu estilo próprio. Começaram por ser uma banda folk-pop mas rapidamente passaram para um rock grunge arrojado. Destacam-se pelas suas melodias genuínas, pela potente voz da vocalista Ellie Rowsell e pela atmosfera das suas letras. Tanto nos falam do sentimento do “primeiro amor” como a angústia e a decepção de perder alguém. Prova disso é o seu explosivo e emocional EP, Creatures Songs (2014).

_______________________________________________________________________________________

Golden Slumbers

Se pensarmos um bocado podiamos pensar que era uma banda de cover dos Beatles, mas a verdade é que os Golden Slumbers são um projecto folk ambicioso composto pelas duas irmãs Catarina e Margarida Falcão Inspiradas pelo country e pelo folk anglo saxónico apresentam-nos vozes delicadas e melodias que facilmente nos ficam no ouvido e nos aquecem a alma. O seu EP de estreia I found the Key (2014) é simplesmente espantoso e deixa-nos com o sentimento de querermos ouvir mais, definitivamente um must hear.

_______________________________________________________________________________________

Modernos

Há em todos os artistas uma necessidade eterna de se reinventarem, não fossem eles uns eternos exploradores da satisfação suprema. Os Modernos são isso – um desejo de três Capitães Fausto de regressar às origens, ao som de garagem e à distorção com uma atitude pujante. A música “24″ dá o mote e revela a intenção do projecto – morrer aos 24, mas só daqui a muitos anos. Dá-nos vontade de ouvir muito mais em 2015.

_______________________________________________________________________________________

Francis Dale

Começou por ficar conhecido no universo das covers através do tema “No Diggity”, original dos Blackstreet. Mas foi em nome pessoal que deixou muito boa gente de boca aberta. O que faz é bom, redondo, tem power. Desde o instrumental electrónico, até à voz quente e convincente. É viciado em composição e produção musical, o que deixa adivinhar um disco de estreia bom, surpreendente, e que de certeza irá marcar 2015.

_______________________________________________________________________________________

Holly

Natural das Caldas da Rainha, Holly é um miúdo que nasceu no meio de um rodopio musical, o que terá acordado o bichinho musical que vivia dentro dele. Partilha o mesmo apelido de DJ Ride (e não é por acaso, já que são irmãos) e provavelmente muitas das influências, o que lhe dá um boost criativo grande. Mas não se enganem – este beatmaker tem um bom gosto próprio e nós auguramos-lhe um futuro muito risonho, já a começar em 2015.

_______________________________________________________________________________________

Bob Moses

Os Bob Moses são obra de dois produtores canadianos, Tom Howie e Jimmy Vallance, que se juntaram na música corria o ano de 2012. Desde então, lançaram três EPs com os quais se infiltraram na dança de movimentos lânguidos, forjados na deep house preguiçosa e emotiva, polvilhada de vocais soul e ritmos que nos fazem sonhar. Encanta-nos que tenham um equilíbrio brilhante entre banda indie e dupla de DJs, pelo que estamos curiosos por os ver em palcos lusitanos em 2015.

_______________________________________________________________________________________

Years & Years

Voz a la Sam Smith, mas com menos drama; synths a la AlunaGeorge, mas com menos glitter; groove a la Disclosure, mas mais virados para um palco, que para uma pista de dança. Os Years & Years são a representação cabal da convergência que 2014 mais demonstrou – sintetizadores, música electrónica, R&B e Soul. Uma mescla de sonoridades que vai explodir no próximo ano e seguramente for Years & Years to come.

_______________________________________________________________________________________

Punch Magazine

Subscreve a Punch TV!