A poucos dias de se estrearem em Portugal com a digressão de apresentação do álbum homónimo, estivemos à conversa com os Banda do Mar, trio luso-brasileiro formado por Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Fred Ferreira, baterista dos Orelha Negra e Buraka Som Sistema. Aliás, com duas datas totalmente esgotadas a 27 e 28 de Janeiro no Teatro Tivoli BBVA, tudo indica que a histeria registada durante a digressão brasileira se irá prolongar em palcos nacionais, com salas inteiras a postos para cantar “Mais Ninguém” ou “Hey Nana” na ponta da língua.

1. Um projeto novo, um país novo, uma cidade nova. Como é que os vossos destinos se cruzaram e como surgiu a vontade de formarem um trio?
Mallu: Somos grandes amigos. Estamos e estaríamos juntos de qualquer maneira. Calhou de sermos músicos e da ideia da banda vir às mesas de almoço e jantar, e de o tempo abrir frestas para penetrarmos.

2. A banda nasceu em Lisboa. Como é que a cidade se refletiu na composição do álbum?
Mallu: Estamos e estávamos muito felizes de estar aqui. Esse fôlego da nova vida, os medos da nova vida, seus presentes e seus mistérios, tudo isso influencia. É difícil dizer como, porque a composição é um ser vivo, tem suas próprias células, impulsos e caminhos. Cada dia, cada hora, somos diferentes e nos relacionamos com o meio envolvente e interior. Lisboa trouxe novos assuntos, novas cores no céu, o frio do inverno e, como ele, a intensificação dos laços.

3. Já agora, porquê o nome Banda do Mar?
Fred: Banda do mar pode ter vários significados, desde o mistério das profundezas, as ondas nas rochas de Sagres, até o surf da Califórnia, as sereias etc. Para além de tudo isso, é o que une um país ao outro (Portugal-Brasil) e por todo este imaginário achamos que este nome faria sentido.

4. O álbum é uma coleção de canções solarengas, ambientes surf-pop e boas vibrações. Que mensagem quiseram passar ao escrever estas canções?
Mallu: Claro que nossa alegria de estar numa cidade que gostamos tanto está presente nos nossos rostos e canções. Mas nem sempre cantamos o que sentimos, mas sim o que queremos, como uma reza. Dificilmente conseguimos identificar o que é real e o que é desejo, justamente porque é da afirmação do desejo que construímos nossa realidade. Sempre em sintonia, acho que nós três, no fundo, queríamos construir algo. É um álbum mais curativo do que incômodo.

5. “Me Sinto Ótima” resume o sentimento de descontração de todo o disco. A composição e os arranjos entre os 3 foi sempre assim tão serena?
Marcelo: Sim. Estivemos por 6, 7 meses trancados em estúdio, inverno, verão, muitos almoços, muitas dúvidas, tentativas, e nunca nos stressamos uns com os outros. Mesmo diante das dificuldades que encontramos na turnê, que são normais de uma banda em turnê, nunca voltamos nossas frustrações um para o outro. Ao contrário enxergamo-nos como cúmplices nestas dificuldades, as abraçamos e vamos em frente sempre rindo.

6. Quais as expectativas para a digressão nacional?
Fred: As melhores, eu conheço o país melhor que eles mas ambos somos apaixonados por todos os cantos de Portugal. Temos tido grandes reacções em Portugal também, por isso serão concerteza mais momentos para guardar na memória .

7. Quais as principais diferenças entre o público português e brasileiro?
Fred: Acho ambos muito doces e delicados apesar do público do brasil ser mais expansivo, nós em portugal somos mais calminhos mas recebemos muito toda a gente por isso não será diferente acho eu.

8. Com que outros artistas portugueses gostariam de colaborar?
Marcelo: Gostamos de muita gente. Temos muitos amigos por aqui e com alguns deles estamos já tocando no show. Quem sabe ao longo desta turnê não damos a sorte de estar com tantos outros.

9. “Cidade Nova” e “Vambora” abrem e encerram o álbum. Podemos ler nas entrelinhas um ‘olá’ e ‘até sempre’ a Portugal?
Marcelo: Sim! Quero dizer, qualquer leitura é bem-vinda. Mas essa é mais um pouquinho.

PLAYLIST

Quando perguntamos as 10 canções que mais inspiraram a sua sonoridade, Fred Ferreira respondeu-nos com alguns nomes, mais do que canções, que definiram a sua música desde Beatles, ao Criolo, Nick Nicotine, Cícero, Wado, Momo, Grawlers, Tim maia, Artic Monkeys, entre outros. Assim, tomámos a liberdade de criar uma playlist em jeito de preparação para os concertos dos Banda do Mar.

Pedro Lima

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