Uma boa plateia proporciona sempre um bom espectáculo e nesse aspecto podemos dizer que somos umas das melhores (pelo menos uma das mais efusivas) mas quando o que está em palco é igualmente bom cria-se uma verdadeira simbiose. Alison Mosshart aka “VV” e Jamie Hince aka “Hotel” finalmente actuaram numa sala digna do seu nível para um público que pintou uma bela moldura humana num Coliseu dos Recreios não cheio, mas bem composto.

Para um dia de semana muitos foram os fãs que marcaram presença para receber uma dupla de sonho que apesar das inúmeras visitas ao longo dos últimos anos já deixavam algumas saudades. Em tour com o seu último álbum Ash & Ice, os The Kills fizeram questão de parar em Portugal para duas datas e trazer os já cinco álbuns que têm na prateleira. Uma noite incrível onde visitámos cuidadosamente os hinos dos cinco álbuns da banda, através dos riff’s intemporais de Jamie Hince e os berros lindos de Alison Mosshart.

A sintonia dos The Kills

Entre voos de cabelos amarelos e intimidades próximas com partilhas de microfones entre os dois, desta vez a dupla trouxe dois novos elementos que dão uma noção de concerto diferente ao que sempre vimos agora em formato clássico de banda, nada que desviasse as atenções dos dois protagonistas. Foi sensivelmente hora e meia de música que nos fez tremer a roupa, não fossem as distorções abusadas e os feedbacks propositados de Hince levar a plateia à loucura. Alison Mosshart passeava-se pelo palco com ou sem guitarra no ombro, de sorriso desenvergonhado na cara e algo incrédula quando toda a gente à sua frente batia palmas e entoava canções como “Heart of a Dog”, “U.R.A. Fever”, “Black Balloon”, ou “Doing It to Death”.

A sintonia dos The Kills

As temperaturas subiam cada vez mais à medida que os empurrões apareciam em “DNA” e na explosiva “Future Starts Slow”, houve tempo até para a velhinha “Monkey 23″ e a belíssima “Echo Home”. O encore surgiu com uma Alison sozinha em palco apenas de guitarra acústica na mão para cantar “That Love”, um momento de cortar a respiração. “That love you’re in is all fucked up. That love is done” foi entoado com uma voz que por vezes pareceu tremer, não fosse cada palavra sentida de uma forma intensa em palco e fora dele. “Siberian Nights”, “Love Is A Deserter” e “Sour Cherry” foram o três em linha perfeito para fechar um concerto surreal. Enquanto Alison mandava beijos pelo ar e Jamie agradecia de mão ao peito dizendo “We fuckin’ love you Lisbon!” nós só nos restava aplaudir incansavelmente aqueles que nos proporcionaram um concerto especial que ficará na memória durante muito muito tempo. Alison e Jamie, por favor voltem sempre!

A sintonia dos The Kills

Texto: Adriana Lisboa

Fotografia: Lúcio Roque (Ver foto-reportagem aqui)