Nesta segunda-feira de Outono, o concerto de Sarah Neufeld foi o pretexto ideal para visitar o sempre aconchegante Musicbox. Perante uma sala respeitosamente composta, Sarah entrou no palco de forma tranquila e sem palavras – e o silêncio pedido pela artista no letreiro à entrada foi a moldura ideal para as primeiras notas da violinista de excepção.

A-simplicidade-de-Sarah-Neufeld

Ainda que tenhamos alguma dificuldade em dissociar Sarah dos Arcade Fire, banda na qual colabora activamente, os seus dois álbuns em nome próprio tornam por demais evidente o seu valor enquanto artista individual, não só na mestria do violino mas também na voz e à vontade em palco. A caracterização do espaço e o efeito das luzes foram discretos mas cumpriram o propósito de focar a nossa atenção não só em Sarah Neufeld mas também em Jordan Cohen, o baterista e produtor que se juntou em palco para a maioria das músicas. Ainda que o volume da percussão estivesse (quanto a mim) um pouco elevado, esta ofereceu corpo às músicas que o violino desfilou ao longo da noite, ajudando o público no balanço compassado.

A simplicidade de Sarah Neufeld

Ficou claro que Sarah prefere deixar a sua música falar por si, intervindo apenas pontualmente, sempre com um sorriso discreto. Em mais do que uma ocasião, a artista frisou o seu encantamento por Portugal e por Lisboa em particular, e insistiu que gostava de ficar por cá. Como curiosidade final, ficámos a saber que a capa do seu segundo disco, The Ridge, foi fotografada num penhasco a uma hora de distância de Lisboa.

Foi um concerto sem grandes artefactos mas que valeu precisamente por essa simplicidade − aproveitámos melhor cada pequeno detalhe.

Texto: Andreia Duarte
Fotos: Lúcio Roque

Subscreve a Punch TV!