Galopante Festa. Podemos agora dizer com toda a segurança, que foi um nome feito à medida de um alinhamento escolhido a dedo. Galopámos noite dentro com Gomas estreantes nestas andanças, trepámos mais um pouco com Polegares à procura de reconhecimento e afirmação e rejubilámos por fim com uma aula festiva, digna de fim de Ciclo.

Caras novas banhadas por luzes que condizem com as experiências do seu nome, os Gomas Alucinogénicas convidam-nos a ficar atentos ao que estão a fazer. Apenas dois ensaios depois surgem aqui para nos aguçar o apetite, com uma segurança e atitude próprias de quem não tem nada a provar e está preparado para enfrentar os desafios que se avizinham. Uma vocalista arisca e um teclista alucinado, apoiados por dois músicos que já nos mostraram o que de melhor sabem fazer nas suas outras bandas, podem muito bem ser a receita para o seu sucesso. Ficámos com água na boca e para nós agora é só esperar para ver, ouvir, sentir e devorar o pacote que aí vem.

Numa corrida contra o relógio para aprontar tudo, que a janela temporal estava apertada, Os Polegar entram direitos a abrir pelo seu EP de estreia. O público mais familiar acompanha-os pelas letras, como quem levanta os polegares em sinal de aprovação. A dimensão ganha em palco justifica bem o amor a mais que incluem na sua actuação, como diz o seu single. Com a sua sonoridade limpa continuaram a elevar o ambiente, levando o público a aquecer os seus passos de dança e acompanhar alegremente os refrões viciantes.

Polegar

No concerto mais aguardado da noite, uma presença especial neste nosso Musicbox apinhado, um coro, em uníssono com a banda, vindo directamente das profundezas de uma plateia que parece ser parte integrante da formação. Não uma, não duas, mas todas as vezes que surge um verso conhecido, dos Ciclo Preparatório, levantam-se as vozes, as mãos e as almas numa unidade ressonante. Não levámos os cadernos mas também nunca foi preciso. O que nos foram ensinar fica bem gravado na memória e no espírito, a forma como se conduz um público e se eleva uma grande banda num espaço tão especial, que parece feito à medida destes espectáculos intimistas. A cada hino fazem tremer as fundações Lisboetas com o público dançante, moches e surfistas de multidão, nada fica por acontecer.

Ciclo Preparatorio

Entre clássicos, apresentações e dedicações às novas bandas da editora que abrem hoje o seu caminho pela música nacional, podemos dizer que esta noite foi ouro sobre o Azul. E de Tróia sopram bons ventos, sem dúvida nenhuma.

Texto: Pedro Barata
Fotografias: Lúcio Roque