No passado dia 11 de Março, os Mount Kimbie, um dos mais incontornáveis duos de música electrónica no panorama britânico, estiveram no Lisboa Dance Festival para um dos concertos mais aguardados do festival. Antes do seu concerto, estivemos à conversa com a banda sobre as suas expectativas e sobre o terceiro álbum, que está para breve.

Primeiro que tudo, boa noite! É a quarta vez que tocam em Portugal (2011, 2013, 2015 e agora). O que vos agrada acerca do nosso país?
É uma ótima cidade com boas pessoas e uma boa energia. É mesmo um sítio vivo, sabes?  É realmente um prazer estar por cá.

Vocês estão neste mundo desde 2008. E nesta altura (2008, 2009, 2010,…) estávamos num ponto em que a música electrónica estava a sofrer uma reviravolta. O que pensam da evolução da música electrónica na década passada?
Acho que as linhas da eletrónica estão mais ousadas e isso é o que acabou por tornar a música eletrónica no que é. Acho que agora é mais radical tentar fazer música que não seja eletrónica. O que nós fazemos é uma cultura de massa através da música eletrónica, na realidade. E é o que a maior parte das pessoas está a fazer. E existem bons e maus aspectos relativo a isso. Por exemplo, em termos de explosão. Muita gente a fazê-lo. Por isso eu acho que nós tentamos aproximar-nos do que achamos que existe de bom na eletrónica. Como por exemplo, a tecnologia moderna que nos permite fazer todo o tipo de coisas que não eram possíveis antigamente. Se bem que também tem o seu lado negativo, em termos de liberdade musical. Mas não deixa de ter o seu lado postivo. E penso que será isto.

Vocês são capazes de criar sons únicos, algo que vos isola do resto da cena da eletrónica, mesmo no início quando começaram e lançaram o vosso primeiro álbum. Foi algo que vocês planearam e procuraram ou foi algo que simplesmente aconteceu?
Acho que foi algo que acabou simplesmente por acontecer. Quero dizer, originalmente nós tentámos fazer música que soasse a outra música que nós gostamos, e não resultou. Acho que o que nós fazemos e fizemos é algo que faz parte do nosso processo e foi bastante natural para nós. E está dentro do que tentámos, também, elaborar até agora. E acho que o caso é o mesmo com o novo álbum.

Viram algum concerto ontem? Já cá estavam?
Não, chegámos apenas hoje de manhã!

E conhecem o cartaz do festival?
Sim, conhecemos o cartaz! Mas estamos entusiasmados para amanhã porque não existe nada que não queiramos ver. Estamos muito interessados.

Quais é que são as vossas expectativas para hoje? Qual o concerto que mais querem ver?
Honestamente é difícil de dizer apenas um. É que são todos muito bons, penso que todos os nomes do cartaz são genuinamente excelentes. Não vejo Hercules & The Love Affair há anos, mas é sabido que eles são divertidos e é uma coisa totalmente diferente do que nós fazemos. E nós gostamos muito deles. E também não vejo o George Fitzgerald há muitos anos. Por falar nele, ele há pouco estava a dizer o quão gosta de Hunee. E ele é o melhor DJ que vi nos últimos anos, por isso também estou muito entusiasmado para o ver.

Só mais uma questão. Vocês têm estado em silêncio desde 2013, que foi quando lançaram o segundo álbum. Estão a trabalhar em algo de momento?
Acabámos agora o próximo álbum. Sairá este ano, provavelmente em Agosto. E por acaso, o concerto é uma ótima representação de onde chegámos musicalmente. Esta noite, vamos tocar músicas do novo álbum. O nosso som ao vivo, agora, acaba por ser uma versão ao vivo do nosso trabalho porque usamos o que usámos em estúdio. Os instrumentos que foram usados em estúdio, por exemplo, são usados ao vivo.

A propósito disto lemos um artigo, há algum tempo, em que vocês diziam que se sentiam mais livres ao criar música do primeiro para o segundo álbum. Como é que se sentiram a gravar este terceiro álbum?
A questão da liberdade é verídica. Acho que cada vez que te propões a fazer algo novo, já com a bagagem dos trabalhos antigos, sendo que o primeiro de todos foi totalmente livre pois não havia absolutamente nada… Acho que quando tens bagagem anterior que tens que te esforçar mais para ganhar de novo a tua liberdade e não te prenderes aos trabalhos anteriores. E quando o fazes, parece mais deliberado e aprendes muito durante esse caminho. Desta vez trabalhámos muito e durante muito tempo até que sentimos que a nossa liberdade tinha sido recuperada. Demora, mas quando voltas a ganhar a tua liberdade parece que te sabe ainda melhor do que da última vez. Por isso existe um terceiro álbum que é fruto de um árduo trabalho.

Punch Redação