Durante o Lisboa Dance Festival muitos foram os artistas com quem nos cruzámos entre palcos e TOKiMONSTA foi uma delas. Não resistimos e tivemos de meter conversa para lhe fazer umas perguntinhas antes do concerto, assim em formato “speed date”. Dos passeios à beira mar por Lisboa e da comida deliciosa (palavras da mesma), falamos das suas influências musicais e até dos Buraka Som Sistema. Fiquem a conhecer mais um pouco Jennifer Lee, uma simpatia de pessoa.

Já chegou há algum tempo ou só chegou hoje? O que gostaste mais da cidade?
Cheguei ontem, mas tive o dia inteiro para passear à beira mar, e também aproveitei para passear hoje, foram demasiadas experiencias. É muito divertida, comi imensa comida. É uma vida muito boa, o mar é muito agradável. Pelo menos, ontem e hoje, estava um tempo bastante agradável

E o quê que o público português pode esperar do concerto de hoje?
Sabes, eu acho que sou uma pessoa que para além de fazer musica, também aprecia música e aprecia todos os estilos de musica. As minhas “raízes” são o hip hop, mas ao mesmo tempo adoro música eletrónica, tudo o que está entre os dois estilos. No meu concerto vou obviamente tocar os meus originais, e também musicas de outros artistas que gosto; às vezes só apresento músicas que gosto. Eu só quero que passem todos um bom tempo, assim como também o quero passar. Eu sei que não é “educacional”, mas eu só apresento temas que apenas os fãs mais dedicados saberão, se calhar os fãs mais novos também as sabem e gostem tanto como os outros.

Formaste-te na Red Bull Music Academy, e foi um grande passo quando começou a tua carreira, por volta de 2010. Foste a primeira mulher a assinar um contrato com a Brainfeeder! Como é que acha que isso teve um grande impacto no mundo dos produtores musicais e da musica eletrónica?
Eu acho que quando comecei esta carreira, existiam tantas mulheres a trabalhar nesta área como há agora, como também existem poucas mulheres na área da engenharia, por exemplo. Mas o meu objetivo é produzir musica; mesmo que eu seja vista como um exemplo a seguir, eu não escolhi sê-lo, isto só acontece pelo facto de existirem poucas mulheres neste ramo. Quero que as pessoas me vejam como apenas uma produtora, e não como uma “mulher” produtora, porque é assim que eu me vejo, apenas como uma produtora. Eu vejo-me como uma pessoa que pode não ser a melhor, mas faço o melhor que posso; eu prefiro estar no top 10 de alguém do que ser a melhor “mulher produtora” de uma pessoa. Eu não quero ser (…)Se eu comparar a minha musica com a musica de alguém, acho que devo compara-las com base na qualidade, e acho que há imensas mulheres que acreditam que a musica fala mais alto do que o género. Quem é que quer saber se é um rapaz ou uma rapariga? A musica continua a ser boa. Isso é o que eu acho mais importante!

É muito importante!
Eu não quero deixar isto para trás porque sou mulher.

Isso é uma grande motivação. Então, mencionas-te que tens muitas influencias de pessoas. Eu suponho que essa influencia esteja relacionada com algo que ouviste a vida inteira. Qual foi a tua maior inspiração no ramo da musica?
Eu penso que como cresci no Sul da California, basicamente em Los Angeles, eu ouvi muitas vezes na rádio West coast hip hop, agora só se ouve rap, está muito internacionalizado, é sempre a mesma canção. mas naquela altura o West coast rap soava diferente do East coast rap, como algo de Chicago. Ouvia muito West coast rap, mas também bass music, porque são estilos relacionados. Eu gosto muito de musica “barulhenta”, por isso gosto de musicas com efeitos e com coisas bastante complicadas, mas coisas que eu consigo apreciar não só ao nível de som, mas também ao nível de produção. Ao mesmo tempo, também gosto de bossanova, jazz, tudo, por isso é que digo que a minha musica tem um pouco de tudo: gosto tanto das melodias “suaves”, como gosto das mais “agressivas”; há sempre um bocado de soul que parece falar comigo.

Mencionaste gostar das musicas mais “agressivas”. Já alguma vez experimentas-te ouvir musica portuguesa, ou de países africanos? Por exemplo, cá em Portugal temos uma grande influencia africana em certas musicas que ouvimos, como kuduro, não sei se já ouviste falar?
Sim… Eu acho que no meu caso, como estou em L.A., há muita influencia latina e brasileira, e lá acho que há um pouco de influencias portuguesas, no Brasil principalmente; os bailes funk, aqueles sons. Os Buraka Som Sistema não são de Portugal?

Sim, era o tipo de musica que estava a falar à bocado. As musicas dos Buraka Som Sistema são kuduro
Certo! Isso é outra coisa que eu também aprecio, os movimentos e quão suave eles são.

Punch Redação