Na passada 6ª, dia em que os termómetros se lembraram do que era uma temperatura de verão, fomos dar ouvidos à boa confusão dos The Happy Mess no Music Box. Com direito a single inédito e tudo.

Os The Happy Mess são um projecto já com alguns anos de estrada e que navegam, como o nome indica, numa confusão de influências musicais. Contudo, enquadram-se naquele nicho bastante específico de caos organizado – cada música que tocam tem uma identidade própria em termos de inspirações, o que é bastante patente no alinhamento que trouxeram ao Music Box no passado dia 7 de Abril, decalcado daquele que levaram ao Festival Eurosonic na Holanda em Janeiro deste ano. Desde a base declaradamente de indie-rock ligeiro até laivos de folk e rock progressivo (e não descurando algumas linhas de baixo a relembrarem a melancolia do post-punk dos 80’s), passando até por ecos de música oriental, encetamos uma viagem com diversas estações e apeadeiros, movidos pela presença carismática das vozes de Miguel Ribeiro e de Joana Duarte – com paragens em várias das músicas mais conhecidas do conjunto, como “Invisble Boy”, “Backyard Girl”, “Even If The Day Was Blue” e “Homeland” . Mesmo que nem sempre através de construções liricamente complexas, o público foi sendo envolvido por essa mesma presença, enquadrada pela diversidade melódica.

A surpresa da noite estava reservada para a estreia em concerto do single do novo álbum “Love is a Strange Thing”, acompanhada pela visualização do respectivo vídeo. Uma faixa a respirar verão, a ir de encontro ao dia que a capital havia tido, e que de forma leve se constrói sobre uma base de bossa nova, a introduzir-nos mais uma perspectiva sonora diferente enquanto são abordados temas de amor e singularidade não propriamente novos. Mas que nós, enquanto público, observamos de fora, um pouco como se de voyeurs nos tratássemos, espectadores do tal caos organizado que também caracteriza as paixões. O vídeo corporiza essa sensação – para lá do primeiro plano duma história de amor adolescente, temos a presença ocasional de um Crying Boy de Bragolin no plano de fundo.

O concerto terminou em clima de festa com a “Heaven (is in my basement)” e a “Morning Sun”, sucedidos pela segunda amostra da nova “Love is a Strange Thing” em jeito de encore , ficando uma sensação palpável de expectativa para testemunhar em que direcção o colectivo irá caminhar com o novo álbum de originais.

João Gramaça
Fotos: Alípio Padilha