A rubrica 5×5 da Punch evoluiu e passou agora a ser um 7×7, para começarem a ter mais informações sobre os próximos talentos emergentes da música nacional e internacional. A partir de hoje, a rubrica vai ser exclusiva aos artistas que fazem parte do cartaz sensacional do TRY Fest, a realizar-se dia 6 de Maio no picadeiro do Príncipe Real. Para começarmos a semana da melhor maneira, temos o recém duo, The Quiet Times, formado por  João Abreu e Alberto Vieira.

Qual foi a vossa primeira experiência com música?
J.A.: A minha memória mente-me imenso. Por isso é provável que esteja a mentir, mas a minha casa tinha sempre discos a tocar, é horrível tentar dizer um. Talvez entre o “Por Este Rio Acima” do Fausto e o “Graceland” do Paul Simon estejamos bem, visto que estes dois e mais uns quantos batem aqui num nervo especial – muito provavelmente por tê-los ouvido imensas vezes quando ainda não era ninguém.

A.V.: Não querendo mentir, foi entre Abril e Maio de 86 em Santarém. Muito provavelmente foi algo entre Genesis e Brass Construction.

De onde vem o vosso nome e como é que começaram?
J.A.: Vem de uma lista de nomes que o Alberto tem no telemóvel – para o caso de ter de abrir uma empresa em quinze minutos ou ter de baptizar uma criança muito rapidamente. Depois de escolhido, foi só repetir várias vezes e chegar à conclusão que soava bem e que não queria dizer nada que nos comprometesse de forma alguma perante o mundo cruel em que vivemos hoje. E assim podemos estar a tocar House do Benim esta semana e Techno Tailandês para a semana.

A.V.: O João tem razão. Tenho mesmo essa lista para uma eventual urgência e se há coisa que não gosto é de ser apanhado desprevenido. O nome não tem grande razão, mas tem um significado. É um jogo. Quase que uma antítese, entre uma festa – que não se quer calma – e a necessidade de combater a “calmaria” e a inércia em que muitas vezes paira sobre nós. A melhor maneira de o fazer? Com uma festa claro.

Descrevam o vosso estilo em três palavras e que ícones da música portuguesa, ou mundial, influenciam o vosso som?
J.A.: Ritmo / Lambidelas / Sentir  - Do Suriname ao Lesoto, de Ushuaia a Nordkapp. Vale tudo.

A.V.: Prazeroso / Sadio / Fixe – Os nomes são muitos para enumerar porque tanto DJs como Músicos são uma influência.

Se pudessem fazer uma colaboração com alguém, vivo ou morto, com quem seria?
J.A.: Theo Parrish. Porque significaria que estaria numa cave histórica, algures por Detroit, a carregar em botões e a tocar cowbell. Ou só mesmo a ouvir discos.

A.V.: Joly Braga Santos por exemplo. Porquê? Porque não. Era um mestre da composição e tinha uma maneira única de “arranjar” e orientar uma orquestra. Se não houvessem limitações podia bem ser isto.

Para vocês, que artista merece o nome de uma rua?
J.A.: Svengalisghost. Rua Svengalisghost número dezassete. Porque ía ser incrível morar na Rua Svengalisghost número dezassete, ali como quem vai para o Beato.

A.V.: Na linha do João, diria os The Streets. Gostava de saber que alguém em Londres ia entrar num taxi e pedir para ir para a The Streets Street.

Qual o próximo álbum que mais anseiam ouvir? 
J.A.: Boards Of Canada. Porque tem que ser.

A.V.: Boa pergunta. O próximo de Avalanches só para sofrer mais 16 anos.

Qual o vosso episodio mais bizarro?
J.A.: Eu diria que na curta vida de The Quiet Times, já podemos citar bizarria – a já famosa “noite do limitador”. Íamos tocar a um sítio mas a ASAE e o seu novo limitador foram mais fortes.

A.V.: Pior que não poder tocar por causa de um limitador é uma noite inteira a ouvir “tens Bryan Adams?”.

Punch Redação