Unwinding é o primeiro álbum e o desembrulhar de Jonny Abbey, um jovem do Porto com grandes aspirações a solo, depois de ter lançado três singles ardentes deste trabalho. Mas o seu reconhecimento não se fica por aqui, não fosse ele membro de banda Mirror People que dispensa apresentações no panorama nacional. Demorámos 3 meses a absorver tudo isto, maioritariamente porque nos perdemos a dançar.

O álbum começa sem meias medidas, sendo as duas das quatro primeiras músicas do alinhamento singles que já se infiltraram no nosso ouvido desde a sua apresentação. Isto demonstra a proposta arrojada que nos apresenta e toda a confiança que Jonny tem no trabalho que desembrulhada nos nossos ouvidos. Explorando diversos estilos dentro do universo da música electronicamente sintetizada, vamos do Synth-pop ao R’n’B, cruzando ritmos techno ou house, de um segundo para o outro, mas sempre com um toque Indie-pop como força aglutinadora da obra.

Na primeira música somos imediatamente atraídos por uma espécie de gravidade, como o próprio nome indica, “Gravity”, e a partir daqui ficamos de ouvidos sintonizados no som, como a força que nos sustém neste globo. Esta faixa é inebriante pela forma como joga com os tempos do beat, combinados com a presença de um casal de vozes num jogo inflamado de sedução. Aliás, todo este álbum é uma escaldante provocação entre pessoas, experiências e vivências electrizantes nocturnas, confirmando pelas faixas seguintes, como os singles, “White” e “So Far” ou a menos conhecida mas ainda hipnotizante “Come over Here”.

Apesar de todas estas virtudes o pico do álbum só surge na segunda metade do alinhamento, partindo das participações que contam com as sedutoras vozes femininas em “Hold On ft. inFeathers” e “Like a Game ft. Sandra Martins” que balançam perfeitamente as batidas irresistivelmente dançáveis e impregnadas de sintetizadores no meio de baixos e snares viciantes.

Depois de uma passagem por um som claramente mais 80’s, entramos no culminar desta jornada electrónica pelo som que se faz sentir na eclética noite portuense. “Right Now” e “Feet” são dois dos pontos mais fortes desta obra, como se Jonny nos estivesse a dizer “agora é tempo de mexer os pés, a cabeça, o corpo e deixar o som conduzir-nos pela noite dentro”.

É claro que conseguimos encontrar semelhanças estéticas com algumas das suas referências (quem nunca seguiu as pisadas dos seus ídolos), mas estas fazem-nos lembrar apenas por breves instantes um novo e refrescante projecto desses cativantes produtores intercontinentais. “Unwinding” é um primeiro álbum consolidado, com uma mão cheia de temas que resultavam num EP perfeito. Jonny mostra-nos que veio para dançar (e já agora ficar).

Nota: 7.5/10

Pedro Barata