Mestre da era digital e dono e senhor de um universo sonhado que é só seu, ás vezes convida-nos para descobrir uns bits e zeros que por lá andam perdidos e ele magicamente transforma em música. Fomos falar com ele para termos uma visita guiada pelas suas galáxias.

1- Vens de Bragança, uma zona interior e a alguns km’s dos pólos centrais da Jinx. Como é que surgiu a ideia de integrares o colectivo? A ‘interweb’ foi a tua autoestrada de comunicação?

Sim, claro. Na Jinx as coisas funcionam muito assim, quase tudo é tratado on-line. Na minha entrada não foi diferente. Eu já seguia o trabalho de todos, e a certa altura comecei a enviar algumas demos a pessoal da Jinx. Entretanto, em conversa com o Bruno (Dias), surgiu o convite. Alinhei sem saber no que me estava a meter.

2- Quais são as tuas influências musicais, e não só, mais vincadas? Há algum trabalho que por mais que ouças/vejas te mostre sempre algo de novo, uma nova camada, tom, sentimento?

Já passei por varias fases, e todas elas me influenciaram de alguma forma. No entanto, é seguro dizer que sempre fui muito influenciado por estilos importados do UK, como o garage, dupstep ou drum n bass e todos os subgéneros que foram aparecendo.

Existe um disco em particular que volta e meia vou ouvir, o “Untrue” de Burial. É extremamente inventivo e futurista, como toda a discografia dele. Acho que a música dele é especial, e é preciso ouvir várias vezes para perceber o que se passa ali.

3- Em que é que achas que estar mais tão da terra de ‘nuestros hermanos’ durante os teus anos de formação influenciou o teu som e as tuas referências?

Honestamente, não sinto muito isso. Sempre tive algum contacto com a cultura deles, claro, mas não há nada de muito marcante.

Percebi que os espanhóis consomem muito a musica deles. As rádios e televisão dão bastante mais exposição a artistas nacionais, de vários géneros. Conheci alguns rappers espanhóis pela rádio.

 4- Tens sido um produtor decididamente instrumental, mas já produziste também para alguns temas com voz. É algo que pensas começar a explorar mais?

Já produzi para rappers, mas não acontece muitas vezes. Por nenhum motivo em específico, simplesmente porque não tem surgido. Não penso muito nisso, mas se acontecer e funcionar, claro que sim.

5- De que forma é que fazer parte e interagir com um colectivo como o da Monster Jinx te faz evoluir como músico? Há alguma competitividade entre vocês ou procuram-se inspirar uns aos outros?

Não vejo competitividade. Nós somos todos diferentes e cada um tem o seu espaço.

Existe cooperação e isso ajuda qualquer artista e evoluir.

6- Achas que a cena beat, pode atingir outros voos com nomes recentes como Orelha Negra, Knxwledge ou Holly a começarem a ser reconhecidos noutros meandros. Ou será sempre uma cena mais underground?

Penso hoje em dia já não é muito claro o que é underground ou não. Acho que as pessoas já nem se preocupam muito com isso.

É claro que os beats, ou a música instrumental, vai ser sempre consumida por um tipo de público mais específico, mas acredito que há muito espaço para crescer e de facto temos assistido a esse crescimento, ainda que lento.

7- Ouvimos dizer que andas sempre a trabalhar. Para quando um novo EP, ou segue-se um passo mais arrojado e um LP?

Confirmo. Estou mesmo a fechar o meu próximo EP.

Tenho estado virado para formatos mais pequenos, porque me dão uma certa liberdade para variar e experimentar coisas diferentes. Fazer um álbum está nos meus planos a medio prazo, mas não será desta.

O meu próximo EP está praticamente pronto, e vai chegar em breve.

 

5×5 Playlist

É difícil escolher 5 músicas tão aleatoriamente.

Acabei por escolher excertos de discos que estimo e que continuam a fazer parte das minhas playlists.

Nuno Camisa e Pedro Barata