Nascido em França, mas de coração português. Formado em Arquitectura, mas é pelos beats que é conhecido. OSEB é um canivete suíço que não se deixa rotular nem limitar, seja na música ou em qualquer outro formato. Não pisquem os olhos, porque antes que dêem conta, já ele partiu para outra!

1- De Paris para Portugal, depois do interior para Lisboa. Achas que estas mudanças de residência (e se calhar de vida) são experiências que moldam o teu som?”

Não sei moldam o meu som, pelo menos directamente. Ter vivido em vários sítios completamente diferentes molda-te a ti. Não saberes bem onde pertences mas sentires-te bem nos vários lugares por onde passaste certamente faz-te ver as coisas de uma maneira diferente.

Na musica talvez se traduza no facto de eu tentar não negar referências, por mais distantes que estejam do que estou a fazer. Elas podem ter um papel importante mesmo que à primeira vista não façam parte daquele universo.

2- Parece difícil definir o teu som. Quando pensamos num, tu surpreendes com outro. Isto é porque te aborreces rápido ou és só hiperactivo?

Aborreço-me rápido ahahah. Acho que aquilo que me dá mais pica é explorar, fazer coisas com as quais não me sinto confortável. Todos os sons que tenho soltado ultimamente têm sido em compilações da Jinx onde é suposto experimentar, ou então remixes onde vale tudo e isso acaba por ir de encontro á minha necessidade de descobrir coisas novas.

Não quero ir já para uma caixa, mas penso que se vai perceber um fio condutor quando aparecerem mais originais.

3- De entre a panóplia de influências e géneros de que ouves/gostas, há alum produtor que te chame mais? talvez não só pelo som mas pelo inconformismo e vontade de arriscar também?

Acho que há muitos produtores que se encaixam nessa descrição e cada vez ha mais, o que é incrível!

Tens o Arca, que adoro, que apesar de ja ter uma “estética” muito própria explora sempre coisas novas a casa lançamento. Acho que é das coisas mais difíceis de se fazer enquanto artista, ser fiel a uma visão e ao mesmo tempo nunca se conformar com as respostas que se encontram.

Isso acontece de formas diferentes em cada artista, mas acho que se percebe bem os que estão a puxar a barra e a tentar levar a visão deles mais longe.

Tens exemplos como o Hudmo, SBTRKT, Rustie, Machinedrum que apesar de terem trabalhos mais “comerciais” pelo caminho, têm sempre algo a dizer.

Ou noutra parte do espectro Oneohtrix Point Never ou mesmo Tim Hecker (que nem sei se deveria por no saco dos produtores…mas hoje em dia acho que vale tudo), que apesar de uma enorme consistência surpreendem sempre. (Vejam bem o ultimo album do Tim Hecker é impressionante)

4- Mesmo com uma música sempre muito produzida, sabemos que és fã do vinil. Como é que o digging complementa a tua produção?

Sou fã de vinil mas não faço digging, pelo menos do verdadeiro sentido da palavra. Faço um digging digital digamos hahaha

Acho que o vinil para mim vem mais pelo objecto, ter algo físico na era digital, aquela ideia de que possuo aquela música mesmo sabendo que isso é uma grande mentira.

E claro é também uma maneira de eu contribuir com alguma coisas para artistas que gosto.

5- És formado em arquitectura, além de dares uma mão no design da Monster Jinx. Qualquer arte serve para te expressares ou há uma mais importante que as outras?

Acho que qualquer arte serve para te expressares e é quase impossível para mim criar uma ordem de importância. Acho que falas de maneira diferente conforme o meio que te é dado. Há, no entanto, areas em que és completamente livre de fazer o que bem entenderes, onde te expressas de uma maneira quase terapêutica e acho que para mim neste momento sinto isso com a música. Estar na Jinx ajuda a essa liberdade, sinto-me em casa, apoiado e sem censura.

6- Para quando um EP ou LP, ou algo para os fãs que já estão a ressacar?

A vida real tem sabotado um bocado este release, mas penso que vamos poder ouvir um EP completamente chuvoso pela altura do verão.

 

5×5 Playlist

Esta seleção é um bocado aleatória, mas vamos a isto:

XXXTENTACION - #Imsippinteainyohood

Quando de repente aos 28 anos parece um gajo que faz uns sons que seriam o teu sonho molhado de teenager, aquela energia e trashiness do hardcore/punk/etc misturados com Rap e uma enorme quantidade enorme de distorção.
Não consegui não ficar viciado.

Littlebabyangel - GENEVIeVE

Gosto muito deste som, nunca sabes bem o que estás a ouvir. Várias camadas, uma historia principal, algo cinematográfico no background e uma grande quantidade de detalhes numa produção aparentemente simples.

É um artista ao qual devemos estar atentos… apesar de estar desaparecido ha algum tempo.

Conan Osiris - Yalla 50 Angels

Este álbum de Conan Osiris é das melhores coisas que se fez em portugal nos últimos anos e não tem o reconhecimento que devia!

Nem sei explicar bem, acho que têm de ouvir por vocês

Serpentwithfeet - four ethers

Dos projectos mais impressionantes que ouvi nos últimos tempos, uma peça épica de soul/RnB/Gospel/Opera nem sei bem. Um Ep sentido, um tema arrojado, intimo, intenso.

Com a mão de The Haxan Cloak que co-produziu e mixou o EP

Ricky Eat Acid - pull

Eu sempre gostei do Ricky mas não sei porque estou viciado nesta musica há quase um mês e nao consigo desligar.

Aconselho a ir chafurdar na discografia deste rapaz.

Nuno Camisa e Pedro Barata