Quem é Roger Pléxico? Resolvemos perguntar a SlimCutz e Taseh sobre esta personagem enigmática, cada vez mais presente no hip hop português. Nascido da colaboração entre os dois produtores, ele é mais que combinação dos pontos fortes de cada um, uma voz independente e singular.

 1- Sabemos que já colaboram e se conhecem há bastante tempo mas, que vos levou a chegar a vias de facto e fazerem um projecto juntos?

Acho que ao longo do tempo começamos a entender que a relação de trabalho era saudável e os pés na lua de um, contrabalançavam muito bem com os pés na terra do outro. Fomos influenciados um pouco pelas mesmas coisas e pelas mesmas pessoas, portanto tudo acabou por acontecer de uma forma natural.

 2- Juntam-se especificamente para os trabalhos de Roger Pléxico ou acontece colaborarem para as vossas carreiras a solo?

O estúdio funciona como uma bolha creativa, o Slimcutz apoia o trabalho do taseh e vice-versa. Pode ser uma rotina do Slim ou até mesmo um trabalho de design de som que nada tem a ver com música. Há sempre input de cada um e isto aplica-se também ao espirito de cooperação que impera na Monster Jinx.

 3- As composições são orgânicas? Quer dizer, há temas que mal começam sabem que vai ser uma música de Roger Pléxico?

Inicialmente tínhamos uma atitude mais beatmaker, no sentido em que iniciavamos várias ideias que, por exemplo, poderiam vir a ser base de algum MC da Monster Jinx, pertencer a um EP de Roger Plexico ou tornar-se numa rara aparição do taseh a solo. Mas, ultimamente, temos preferido produzir com uma finalidade, perdemos mais tempo na criação daquilo que consideramos ser uma boa ideia inicial e exploramos as várias possibilidades, Pessoalmente o desenvolvimento da  ideia é a parte mais complicada e a mais importante de dominar.

4- De onde surge esta figura? É mais do que a soma das partes?

Gostamos de achar que sim. Talvez tenha sido a necessidade de um terceiro elemento que desempatasse as discussões. Gostamos de respeitar a opinião que achamos que o Roger teria.

5- A vossa colaboração com o Ace trouxe mais atenção para o projecto. Acham que o hip hop instrumental/experimental vai ser sempre um nicho ou poderá chegar a um ponto em que ombreia com qualquer MC?

A música instrumental vai ser sempre uma minoria. É um nicho em expansão, mas que só numa realidade paralela irá ombrear com a mensagem direta de uma letra. É um estilo mais subjetivo e que nem toda a gente está preparada para o apreciar, ou que simplesmente não é do interesse delas. O projeto com Ace foi bom para nós e não queremos ficar por aí no que toca a colaborações com vozes.

6- Que salas recomendam para os fãs do instrumental que não sabem onde ir?

Sinceramente, também não sabemos bem. Mas, estamos com algumas ideias na Monster Jinx para tentarmos preencher esse espaço que acreditamos existir.

 

Nuno Camisa e Pedro Barata