O nosso segundo dia confirmou o palco Ray-Ban como perfeito para início de tarde no Parc del Fórum. Tocavam os El Petit de Cal Eril, com temperaturas que desafiavam a nossa força de vontade, cansados que ainda estavam os corpos da noite anterior. Este concerto lembrou-nos uns Mumford and Sons em início de carreira. O público apreciava o maravilhoso sol de fim de tarde com boa música, sem nunca tirar os olhos do horizonte, no qual o mar tão bem enquadrava a banda.

Primavera Punch, Barcelona - Dia 2

Noutro palco de semelhante disposição, o Night Pro, cantava Tiê com a sua banda, brasileiros descontraídos que a custo insistiam no portinhol para agradecer o balancê do público. Depois de um par de testes de som, Tiê partilhou connosco as suas músicas doces, num folk feliz que homenageia autores como Toquinho.

Primavera Punch, Barcelona - Tiê

Repentinamente, o sol escondeu-se atrás de umas núvens que ameaçavam trovoada. Este era facto alheio a quem passava, e ficava, pelo concerto do italiano Iosononcane, no palco Adidas originals. Foi sentida a ovação final do público. Tempo de rumar aos palcos electrónicos, para dançar Lord of the isles Huerco S. Curioso como esta parte do recinto do Parc del Fórum parece quase um festival por si só – desconfiamos que parte dos corpos que se agitavam à sombra da bananeira do palco Bowers and Wilson se mantiveram fiéis em exclusivo a estes espaços durante os três dias do festival, tal foi a frequência com que os encontrámos por lá.

Primavera Punch, Barcelona - Dia 2

Com Sampha vimos o anfiteatro do palco Ray-Ban a não chegar para a multidão, pela primeira vez. O inglês sobejamente conhecido pelas suas colaborações com músicos como SBTRKT, Solange ou Jessie Ware, lançou já este ano o seu primeiro longa duração, Process. A brisa que se fazia sentir era moldura adequada para as melodias soul com que ele nos embalava, cantando com a sua caracteristicamente rouca voz.

Primavera Punch, Barcelona - Sampha

O palco Mango acolheu o enorme concerto de Mac DeMarco. O canadiano de ainda tenra idade mas já autor de três álbuns, confunde os críticos com a sua música, que já foi apelidada de blue wave, slacker rock ou jizz jazz. O audaz baterista tocou todo o concerto completamente nú, com um conforto que nos enchia de inveja. Já Mac, que passou grande parte do concerto sem t-shirt, aproveitou “Together” para dar largas à loucura e arriscar passar o seu isqueiro por locais mais incautos.

Primavera Punch, Barcelona - Mac DeMarco

Foi com o envolvente e, ao mesmo tempo, aterrador rock experimental dos Swans que voltámos ao palco Pitchfork. Por esta altura ainda não sabíamos, mas o melho da nossa noite já tinha passado. Tanto os The xx como Jamie xx actuaram no palco Heineken, situado de frente para o Mango, o mesmo onde Bon Iver e Aphex Twin se tinham apresentado na noite anterior. Talvez não tenha sido mera coincidência que em todos os concertos deste palco tenhamos sentido alguma dificuldade em nos abstrairmos do público que teimava em conversar como se num café estivesse. Será o volume mais elevado nos festivais portugueses o truque para que isto não aconteça por cá?

Era notório o à vontade dos The xx em palco, muito superior ao do concerto no ido Alive 2010. Não queremos, de todo, questionar a qualidade do espectáculo que o trio deu no Primavera. Temos, antes, pena que a distância que nos separava do palco não nos tenha permitido apreciar o concerto da melhor forma. Já Jamie xx começou o seu concerto com as palavras “Primavera! Primavera!”, que cativaram o público presente. Dançámos, sim, dançámos. Mas na verdade teríamos gostado de um concerto menos DJ set, mais próximo dos álbuns We’re new here ou In Colour. 

Felizmente ainda tínhamos mais Primavera Sound por viver nos dias seguintes.

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Texto: Andreia Duarte

Fotografias: Daniel Campos