No passado dia 29 de Abril, rumámos em direção ao Musicbox para ver o concerto a solo de Steve Gunn. O músico já começa a ser uma tradição anual na rotina de concertos dos portugueses, e ficamos felizes que assim o seja. Em tom de nostalgia, deixamos então o nosso relato sobre a experiência e adiantamos que também tivemos a oportunidade de falar com o Mr. Gunn antes do concerto. Fica a reportagem e a entrevista, na íntegra. 

PunchLine [#39]: Steve Gunn no Musicbox

Já faz mais de um mês desde que assistimos ao incrível concerto do Steve Gunn no Musicbox. Ficámos tão boquiabertos que ainda não tínhamos conseguido deixar o nosso testemunho da experiência. Encarregue da primeira parte ficou Afonso Rodrigues, (Keep Razors Sharp e Sean Riley & The Slowriders), que trouxe apenas a sua voz e guitarra. Brindou o público com uma meia hora de música de sua autoria que nunca até aquele dia tinham saído do baú. Foi uma bela maneira de começar o serão e abrir o apetite para o grande senhor da noite: Steve Gunn. A presença anual de Steve Gunn no nosso país provoca sempre enchente, o que nos leva a concluir que nem o músico e nem o público se cansam deste encontro anual. E que assim seja para sempre. A magia que se fez ouvir apenas pela presença da voz de um homem e a sua guitarra durante uma hora e pouco, foi única. O público, imóvel e quase sempre em total silêncio, não tirava os olhos do palco. Para além dos temas do último álbum, “Eyes On The Lines”, ouviram-se os clássicos “Way Out Weather” e “Old Strange”, para nossa felicidade. Viveu-se um momento único e esplêndido nesta noite simplista mas direta aos corações de todos os presentes. Não podia ter corrido de modo mais divinal e podemos adiantar que foi das melhores noites de sempre do Musicbox. Até à próxima Steve Gunn. E fiquem com a entrevista abaixo.  

1 – Primeiro que tudo. Como te sentes por tocar em Lisboa, hoje à noite?

Estou muito entusiasmado. Aliás, Lisboa é uma das minhas cidades preferidas. Meio que quis saltar para aqui, adoro a cidade. Vou, inclusive, ficar uns dias na cidade para visitar e passar férias depois deste concerto. Como é o último da tour tenho essa liberdade. Estou muito contente por estar cá. Vir cá é uma das minhas coisas preferidas quando estou na Europa. Adoro tocar cá, adoro visitar a cidade. E pretendo sempre voltar.

2 –  Podes falar-nos um pouco sobre o teu último álbum, “Eyes On The Lines”?

Saiu no verão passado, por isso já passou algum tempo. E já estou a trabalhar num novo. Estive o ano inteiro a tocar estas canções deste álbum, mas hoje à noite além disso também vou tocar algumas novas. E vou tocar sozinho enquanto normalmente toco com a banda. Mas hoje à noite vou tocar sozinho, e as canções deste álbum são mais simplificadas o que ajuda bastante.

PunchLine [#39]: Steve Gunn no Musicbox

3 – Como tem sido a tour? A recepção tem sido positiva até agora?

Sim, tem sido incrivelmente boa. Falando de agora, estou em tour há um mês. Ainda não parei. E tem sido uma longa viagem. Fui a todo o lado que pude, nesta parte da tour. Mas, desde que o álbum saiu fui logo de tour para os Estados Unidos e para a Europa. Dessa vez com a banda. Bebemos bastante, divertimos-nos imenso e tocámos em imensos sítios, em imensos festivais. A recepção tem sido mesmo boa no geral.

4 – Já estás a pensar em gravar um novo álbum? Ou ainda é muito cedo para dizer?

Sim, claro. Até posso adiantar que o álbum tem saída prevista para 2018. Já estou a trabalhar no álbum, mas assim que esta tour acabar e for embora das férias por cá, vou para o estúdio gravar tudo. Estarei o verão todo debruçado sobre isto. Já existem canções escritas, algumas coisas gravadas. O esqueleto básico. Estou a trabalhar em vários estúdios. Está a correr bem.
5 – E podes falar-nos um pouco das tuas principais influências quando estás a compor as tuas músicas?

Eu tiro fotografias, eu leio imenso. Ficção, por exemplo. Eu passo por ocorrências variadas, na vida, como todos nós. E leio imensas coisas soltas. E gosto de tirar notas sobre a maneira como eu vejo as coisas. Do género, uma escrita livre. Um pensamento livre. E depois vou construído as canções através destes pensamentos variados, e vou compondo coisas para tocar. De certo modo, posso dizer que é um processo improvisado porque todo o processo acaba por acontecer de modo natural e espontâneo. Mantenho sempre tudo em aberto, e guardo sempre tudo, porque pode ser existem algo que eu gosto de manter ou trocar para outra canção e então nunca deito nada fora. Fica sempre tudo em aberto. É algo que acontece de modo natural.

Texto: Alexzandra Souza

Fotografias: Inês Machado