A 11ª edição do NOS Alive teve início na quinta-feira passada e, como não podia deixar de ser, estivemos lá para vos contar tudo. Desde meteorologia incerta a concertos explosivos, o festival esteve lotadíssimo durante os três dias e não cabia nem mais uma agulha no palheiro. Tal afluência não provoca admiração em ninguém, já que estávamos perante o melhor cartaz deste verão. As expectativas eram altas e foram, na sua maior parte, cumpridas. Fica o relato do primeiro dia do grande fim-de-semana que se avistava.

O sol escaldava e brilhava bem lá no alto e, mal nos aproximámos das imediações do Passeio Marítimo de Algés, podia sentir-se um forte clima de ansiedade. O público era maioritariamente jovem e vinha, claramente, para ver o cabeça de cartaz da noite: The Weeknd. Mas antes disso, e voltando atrás no tempo, o dia começou com uma das melhores bandas portuguesas da atualidade: You Can’t Win Charlie Brown. A banda portuguesa abriu as hostes do palco principal de modo enérgico e cativou, facilmente, os pequenos jovens irrequietos. Nem todos sabiam as letras, mas isso não foi impedimento para que todos se divertissem, e podemos garantir que a base de fãs cresceu um pouco mais nesse dia.

Rhye, entretanto, começava no Palco Heineken e as expectativas eram altas. No entanto, foi um concerto que as deixou algo aquém. A energia possante e sensual que se recebe ao ouvir as canções em casa, ficou a meio gás neste concerto, dando a sensação que estava algo em falta e que já não são banda de festival. Seguiram-se os Alt-J, com mais uma desilusão. A banda que em 2013 tocava para um Heineken totalmente lotado e eufórico, perdeu a cor com o passar dos anos. Apagados, sem grandes inovações e com uma setlist que sabe sempre à mesma refeição reaquecida no micro-ondas. O concerto da banda resumiu-se, em boa verdade, a um concerto que “deu para passar o tempo porque a música é boa”.

O sol já estava longe, mas o cenário iluminou-se mal os Phoenix subiram a palco. A banda não mediu esforços e apresentou a fórmula certa para um concerto brilhante e eficaz. O público que anteriormente se aparentava frouxo, ganhou vida, e a dança foi a constante comum do início ao fim. Ti amo, dizem eles, e Portugal ama de volta com certeza. O cabeça de cartaz do dia era o The Weeknd mas foram os The XX que, no final das contas, levaram a medalha de ouro para casa que vale mais que qualquer título de “cabeça de cartaz”. A jovem banda que já em 2009 prometia, vê-se consagrada como um dos maiores projetos internacionais ao lançar “I See You”, álbum que vieram apresentar neste dia. A máquina move-se ao passo de três, mas é Jamie XX o motor e combustível que lhes dá a genica que se vê em palco. O génio do artista junta-se à química, que se observa e se sente até de olhos fechados. As vozes angelicais de Romie e Oliver oferecem a prescrição na medida perfeita, para os ouvidos de qualquer pessoa que aprecie realmente música. Clássicos que todos sabem na ponta da língua não foram deixados em casa e a potência das novas canções, que mais tarde se tornarão clássicos, também foram entoadas. A doçura e simpatia dos músicos ajuda a que o concerto seja ainda mais caloroso do que já é, e os elogios da banda para o público não foram poupados. Apenas fica a sensação de que o público não era o mais indicado, e deixou a desejar por mais energia e convicção perante um dos melhores concertos desta edição do NOS Alive.

Voltava-se ao Palco Heineken, para se ver um pouco de Royal Blood, que cumpriram mais uma vez a missão expectada por todos. O palco estava a rebentar para receber os britânicos que já têm regresso marcado para terras lusas, em finais de outubro. Fez-se ouvir o novo álbum, que resulta tão bem como o anterior ao vivo que também não ficou de fora do alinhamento. A definição de um bom concerto de rock n’ roll foi, praticamente, presenciada neste concerto.

Podíamos dizer que tinha chegado a hora pela qual (quase) todo o público do festival, neste dia, tinha ansiosamente aguardado. Abel Tesfaye, mais conhecido por The Weeknd, estava finalmente em palco a cantar para um público totalmente histérico e com as canções todas decoradas. Não surpreendeu, mas também não desiludiu. O concerto encontrou uma constante estável, que proporcionou uma boa experiência a todos os que se tinham deslocado das suas diferentes localidades até Algés, para ver o músico. A voz está lá e, ainda que não seja capaz de tudo, é capaz do necessário e expectável. O músico conhece os seus limites e joga a seu favor, sem nunca enfraquecer a sua performance. Existe a inteligência e tato, por parte de The Weeknd que vai realçando o que tem de forte, ao longo do concerto. Os passos de dança lembram os mais grandes artistas da pop (consegue-se notar a milhas a inspiração e importância que Michael Jackson tem para o artista), que todos se esforçaram ao máximo para tentar acompanhar ainda que sem a tamanha eficácia e habilidade que o músico possui. O público apaixonou-se ainda mais e toda a energia guardada durante todo o dia, foi descarregada neste concerto tendo a bateria ficado quase a zeros.

Bonobo acontecia quase ao mesmo tempo, no Palco Heineken, mas o cabeça de cartaz não prejudicou em nada a afluência à tenda que tinha até pessoas fora dela a tentar ver a magia que Simon Green produzia em palco. Soube a pouco e pede-se sala, com urgência. Para queimar os últimos cartuchos, de modo impecável, subiram a palco os esperados Glass Animals, perante um mar de gente que se estendia até às mesas da zona de restauração. David Bayley apresentou-se com uma energia refrescante que funcionou como uma injeção de cafeína para o público. As batidas tribais de “Life Itself” foram o pontapé de saída para um concerto magnifico. Cada sílaba tinha sido previamente aprendida em casa e cantada em uníssono com a banda, que estava claramente feliz com tamanha recepção. Os ananases foram servidos de modo tão delicioso e triunfante como se esperava e, fica a água na boca e o desejo de que voltemos em breve a provar deste fruto tropical. A primeira noite acabava, e íamos de coração cheio para casa.

Texto: Alexzandra Souza

Fotografias: André Nobre