Como tudo o que é bom, passa a correr, tínhamos chegado ao último dia do festival. As saudades já apertavam, mas ainda existia uma rajada de concertos para se ver e experienciar. Foi o dia do quente e frio, o dia que recebeu concertos muito bons, mas também concertos que deixaram bastante a desejar. Fechou-se com chave de ouro, ainda assim, esta 11ª edição do NOS Alive.

Se o sol tivesse brilhado neste dia, estaria a pôr-se durante o primeiro concerto que deu início ao nosso último dia do festival. Os Kodaline entraram a horas, mas passaram ao lado da definição de um bom concerto. O sol nem quis aparecer, e com razão. Esperava-se que fosse o típico concerto que emociona até os não simpatizantes, mas nem isso conseguiu cumprir. Enfadonhos, monótonos e pouco apelativos. Não recomendável, se estão à procura de um bom concerto. No Palco Heineken pouco depois, para nossa felicidade, começava um concerto muito mais interessante. Os Spoon já têm regresso marcado para o nosso país no final do ano, e aconselhamos vivamente. Simplistas e prontos a mostrar o melhor que o seu indie rock tem para oferecer, deram um concerto que ainda atraiu e conquistou muitos dos presentes.

Porque um mau concerto nunca vem só, os Imagine Dragons subiram a palco depois dos Kodaline para lhes fazerem companhia na lista de piores concertos que passaram pelo festival neste ano. Uma banda que já esteve próxima da medalha de prata, agora apenas conhece o que é uma medalha de lata. Onde é que foi parar toda aquela potência que o primeiro álbum oferece? Nem todos somos capazes de dar uma segunda volta no carrossel com o mesmo brilhantismo da primeira. Neste caso, o melhor conselho a oferecer é o de ficarem quietinhos de modo a manter a boa impressão imaculada. Nem sempre vale a pena arriscar estragar a pintura, e os Imagine Dragons deveriam saber disso.

Acabados estes pequenos infortúnios, e como da chuva nasce sempre um belo arco-íris, tivemos o privilégio de ver finalmente os fascinantes Fleet Foxes. A banda, que esteve parada durante alguns anos, voltou em grande e ainda bem. Do fundo do coração, achamos que a banda deu um dos melhores concertos do festival. Ainda assim, o público mais uma vez pecou e o horário não foi o melhor. Mas o que se passou em palco, supera indubitavelmente qualquer dificuldade adversa que possa ter existido. Pura magia aconteceu, lágrimas foram derramadas e pede-se sala com urgência. Muita urgência. A meio do concerto dos Fleet Foxes, começava outro dos grandes e melhores concertos desta 11ª edição do NOS Alive.

Os estrondosos Depeche Mode e os seus incríveis e inigualáveis sintetizadores, entraram a palco e provocaram euforia entre o público durante quase duas horas. Dave Gahan traz sempre um véu de sensualidade consigo, balançando gentilmente as suas ancas e metendo inveja a qualquer um. Ninguém movimenta, de modo tão sensual e lascivo, as ancas como o vocalista dos Depeche Mode. A banda já tem bastantes anos de estrada e nunca parece esgotar a luxuosa qualidade. Vieram para apresentar o novo álbum lançado no passado mês de março, “Spirit”. O concerto teve início com as recentes canções, deixando a banda os clássicos para o final. Como se costuma dizer, o melhor fica para o fim, e assim foi. Faltou um rio de clássicos, já que esta banda tem um recheio bastante completo, mas o que se ouviu bastou para satisfazer os prazeres ocultos de cada um. Podemos confirmar que esta banda é mais uma da saga das que necessitam de sala. Já está mais que na hora de ver a dançável synth pop, a solo. Fica mais um apelo.

Dançado tudo o que havia para dançar, a deslocação que se seguia era óbvia. Os Cage The Elephant estavam já a tocar no Palco Heineken, e podia-se observar uma declarada relação de amor com o público português que aparentava saber as letras de trás para a frente. Foi a primeira vez que tocaram na capital, e já não cabia nem mais uma agulha na tenda pelo que haviam, também, muitas cabeças que tentavam ver do lado de fora. Enérgicos como sempre, provocaram exaltação que acabou por dar lugar ao mosh e ao crowdsurfing, levando todos os presentes a uma sensação de pleno êxtase com o presenciado.

Directos da Austrália para o Passeio Marítimo de Algés, seguiram-se os The Avalanches. Esperava-se algo bom, mas não tão bom como foi na realidade. Divinais, não foi realmente ao acaso que se tornaram autores de um dos melhores discos da década de 2000. A energia que deixam transparecer e que transferem do palco para a plateia é algo raro e extraordinário e de deixar qualquer um boquiaberto. Ninguém levou este concerto com indiferença e podemos garantir que soa ainda melhor ao vivo. Sim, é possível. Para fechar esta edição do NOS Alive com chave de ouro, o Palco Heineken teve a honra de receber a extraordinária Peaches. Sempre a primar pela sua singular e conhecida excentricidade, a artista destacou-se pela positiva. Deu um concerto exótico, dinâmico, carnal e sempre apoiado em alicerces sexuais, que são a sua imagem de marca. Resumindo, está bem de saúde e recomenda-se. Os últimos cartuchos foram queimados e dançou-se até ao último minuto. Após uma excelente e bem-sucedida edição, resta-nos agradecer e dizer: até para o ano, NOS Alive.

Texto: Alexzandra Souza

Fotografias: André Nobre

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