São cinco e dão pelo nome Cassete Pirata. Uma vénia a um tempo já ido, onde mais que meios, havia vontade e ideias. Depois de assolarem o país de norte a sul com concertos, senão surpreendentes, pelo menos inesperados, a banda de João Firmino (Pir), João Pinheiro, António Quintino, Margarida Campelo e Joana Espadinha, lança agora o seu trabalho de estreia. Veteranos da música nacional, com produção de Benjamim e gravados no estúdio de Frankie Chavez, são um nome que promete nos entrar pela casa, carro e headphones adentro.

O homónimo de estreia é um trabalho compacto. Quatro música em menos de quinze minutos, é um projecto curto em duração mas longo em ideias. São um conjunto de temas, alguns já estreados em palcos por este país fora, pensados e que mesclam e se moldam intrinsecamente. À primeira audição, a simplicidade das músicas podem levar a que se rotule como um álbum de verão, para ouvir nestes meses mais quentes e esquecer assim que as folhas começarem a mudar de cor. Contudo, a cada nova rodagem, há pormenores que se descortinam, texturas que se revelam e notas fantasma que surgem.

Sem dúvida que as impressões que quem ouve são a voz de Pir, a ecoar pelo espaço, envolvente e deixando uma ténue reverberação a cada frase (nota de destaque para mais uma soberba produção de Benjamim!), e a bateria de João Pinheiro em iguais parte funky e musculada.  Mas isto é descurar as teclas, que levam músicas simples(?) de amores e desamores de verão a outros horizontes, ou o baixo que seguro como uma âncora deixa os demais instrumentos ganharem asas.

“Pó no pé” é o single com direito a vídeo, que deixa o gosto a sal na boca e nos faz coçar a perna para ver se não ficou algum bocado de areia mais resistente. “Outra Vez” é um tema em crescendo, que começando de forma suave e descomprometida, acaba num vendaval do mais puro rock psicadélico. Com “Sem Norte”, a bateria diz presente e é sem dúvida o vocalista desta música, a voz ajudando as teclas na linha melódica.

E é no final do EP que chega o ex libris. ”Onze Mãos” é quase um carta fora do baralho, tanto pelo instrumental como pela letra, claramente mais abstracta que os restantes temas. Um riff de guitarra tirado de uma qualquer garagem da Rua de Arroios, uma secção rítmica a marcar passo e que faz bater pé no chão, culminando num solo de guitarra com muita distorção e pedais de efeitos à mistura, que faz a banda arreganhar os dentes e mostrar que o rock também passa por aqui.

É um só um EP, quatro músicas tocadas em menos de 15 minutos. Mas ao mesmo tempo é muito mais do que aparenta. Modesto e ambicioso em igual medida, a pergunta que se impõe é, para quando o álbum?

Nota: 8.0/10

 Nuno Camisa