Foi no dia 17 de agosto que Captain Boy, alter ego de Pedro Ribeiro, sobe ao palco Jazz na relva no festival Paredes de Coura, e depois de um concerto que tornou a tarde na praia fluvial do Taboão mais agradável, aproveitámos para falar um bocado com o artista sobre o ambiente descontraído do festival, e sobre o seu percurso no mundo da música.

Qual foi a sensação de teres atuado em Paredes de Coura?

É brutal! Tirei o Captain e fiquei só com o boy.

E é a primeira vez aqui em Paredes?

A tocar sim.

Estiveste há pouco tempo no festival Bons Sons. Sentiste alguma diferença entre o público desse festival e o do Paredes de Coura?

Há, mais na faixa etária do que no resto. O Bons Sons é um festival onde se vê miúdos de 8 meses num carrinho com os auscultadores para não furarem os tímpanos, animais, até pessoas com 70 anos que são lá da aldeia. Lembro-me de estar no palco e estar uma senhora a estender as cuecas, nós do palco conseguíamos chegar com a mão às cuecas dela. É uma ligação diferente. O Paredes é o Paredes, isto é pessoal que está aqui por boa música, também por culpa da organização, que só traz bandas fixes.

Há quanto tempo estás no ramo da música?

Eu comecei por tocar bateria, o meu pai, que tocava baixo, é que me ensinou, e sempre estive ligado à música. Em Barcelos tive alguns projetos, tocava com o pessoal, depois quando saí de lá fui para Guimarães e comecei a compor. Aí fui compondo durante um ano, e surgiu o Captain Boy.

Quanto ao teu novo álbum, tens alguma razão pela qual o fizeste?

Não sei, aconteceu tudo tão rápido: eu gravei o meu primeiro EP com o Gilene Boucinha,que  toca comigo guitarra e é o meu produtor, e  na altura inscrevi-me no Tradiio. Nesse mês, quem tivesse mais audições ia tocar ao Super Bock; então cheguei um dia a casa, depois de um ensaio, e recebi um email do Tradiio a dizer que tinha sido selecionado para ir tocar ao festivalPensei mesmo que era spam, não estava a acreditar. E nessa altura, falei com o Gil para tocar comigo, e era para tocar tipo, eu uma guitarra, e o Gil outra, depois punhamos um pedal com um kick de bongo. Mas depois decidimos convidar músicos de Guimarães de várias bandas para ir tocar connosco ao Super Bock.

Quando começámos a tocar, não houve tempo sequer de conseguirmos uma gravação concisa daquilo que nós queríamos fazer. Então, este ano em que saiu o álbum, decidi juntar essas músicas todas que gravei no ano passado, e fazer o álbum.

Durante o concerto, no tema Bailarina, referiste que escreveste a musica em inglês, depois em francês e no final em português. Costumas fazer isso com as músicas todas ou foi só com esta?

Não, foi a única que fiz.

Porquê?

Porque eu adoro a sonoridade do francês, e gravei em francês. Depois decidi um dia tocá-la em português e notei que ficava com um timbre bonito.

O que gostas mais neste trabalho?

Esta é difícil de responder… Gosto de tudo, gosto da viagem toda; de começar a compor, de pôr o gravador e começar a tocar coisas, cantar palavras que não existem, e depois ouvir aquilo e ver a palavra-chave e começar a compor. É como se fosse um filho meu a ser criado, fico muito contente. E depois gosto quando o filho vai à escola, que é apresentar isto ao pessoal, e o pessoal gostar. Acho que não consigo diferenciar o gosto das várias etapas, mas adoro a viagem toda. É óbvio que é diferente estar a tocar num quarto e estar a tocar aqui no Paredes de Coura.

Punch Redação