Adorados pelo público nacional, os Nouvelle Vague não são estranhos aos palcos portugueses. Apresentaram-se na Aula Magna pela primeira vez há já dez anos e, na quinta-feira que passou, regressaram com a promessa de que “esta noite seria melhor que a primeira”.

Interrompendo o burburinho que ainda pairava no ar, apagaram-se as luzes de sala e entraram em palco os aguardados Nouvelle Vague. Com a Aula Magna praticamente esgotada, “I Could Be Happy”, a canção que dá título ao álbum mais recente, deu o pontapé de saída. Percussão, teclado, sons marítimos em backing track, a guitarra de Olivier Libaux, o violoncelo de Marc Collin e as vozes de Melanie Pain e de Marina Celeste preencheram a Aula Magna e deliciaram a audiência. Em comparação com as edições de estúdio, ao vivo os franceses apresentam sonoridades muito mais preenchidas, que fazem toda a diferença e satisfazem qualquer um.

A noite em que a Aula Magna dançou com os Nouvelle Vague

“Blue Monday”, tema de 1983 reinventado pelos franceses em 2006, deu continuidade ao espectáculo, e estava instalada a boa disposição numa das salas mais características da capital. Seguiram-se sucessos mais recentes como “I Wanna Be Sedated”, dos Ramones, e uns mais antigos como “Escape Myself” e “Falling In Love” – este último acompanhado da revelação do amor que os parisienses sentem pelo nosso país e audiência, amor que é sem dúvida retribuído.

O momento alto da noite chegou em “Just Can’t Get Enough”, um dos temas mais animados do conjunto. Melanie pediu ao público que se levantasse e, automaticamente, instalou-se uma verdadeira festa em plena Aula Magna. Com o público de pé, e o percussionista no centro do palco, com a tarola à cintura, a banda brincou com a música e com a audiência que, dançando, retribuiu a boa disposição.
A festa continuou com o tema “Teenage Kicks”, também do primeiro álbum, num especial momento em que o teclista, o percussionista e o próprio Marc Collin, todos no centro do palco com as vocalistas, acompanharam na percussão Olivier Libaux que tocava guitarra. E, para acalmar, os franceses tocaram dois temas em francês que integram o novo álbum: “La Pluie Et Le Beau Temps” e “Maladroit”.

A noite em que a Aula Magna dançou com os Nouvelle Vague

“Human Fly”, tema que integra o segundo álbum, Bande à Part, foi a banda sonora da primeira saída de palco que, dada a insistência efusiva do público, não durou muito tempo. Para o primeiro encore, apenas Marc Collin regressou a palco acompanhado do violoncelo, que durante todo o concerto utilizou como se de um contrabaixo se tratasse. O fundador do projecto deixou bem claro que a composição não é o seu único talento e impressionou com os seus dotes instrumentais num incrível solo. Reentrou a banda e, em conjunto com o tímido coro da audiência, cantaram “In A Manner Of Speaking”, o tema do primeiro álbum, Nouvelle Vague, que mais sucesso teve. Marina e Olivier brilharam também em “Love Will Tear Us Apart”, mas agora o coro do público já não era tão tímido e substituiu a cantora no refrão – a verdade é que há muitos anos que todos sabemos a letra de cor.

A noite em que a Aula Magna dançou com os Nouvelle Vague

Porque apenas um regresso a palco não satisfaz as vontades do insistente público português, os franceses voltaram para mais um encore, ao som de “I Melt With You”, desta vez com a banda completa e voz de Melanie Pain.

Um alinhamento completo, uma audiência incansável e uma merecida ovação de pé – assim se resume mais uma incrível prestação dos Nouvelle Vague em terras lusitanas. Os parisienses deixaram o público lisboeta a chorar por mais e prometeram voltar – nós aguardamos ansiosamente!

Maria Roldão
Fotos: Nuno Alexandre