É a segunda vez que tocam em palcos nacionais este ano: estiveram no palco secundário do NOS Alive no verão e sábado passado apresentaram-se no Campo Pequeno perante uma enorme legião de fãs. A história do duo começou em 2014 com o sucesso do álbum homónimo, um dos mais rapidamente vendidos no Reino Unido na categoria rock. São Ben Thatcher (bateria) e Mike Kerr (baixo) e juntos formam os Royal Blood.

Às oito em ponto, enquanto a plateia se compunha, entraram em palco os Black Honey, um nome novo nos palcos portugueses. A pressão da estreia não foi um entrave e, em apenas meia hora, os britânicos agarraram o público com sonoridades indie-rock que encaixaram perfeitamente no aquecimento para Royal Blood. Izzy B, a vocalista, apresentou-se em palco com um vestido verde fluorescente que nem pela sua exuberância roubou o foco aos singles apresentados, entre eles: “All My Pride”, “Madonna” (que nesta altura da história lisboeta vem mesmo a propósito), “Hello Today” e “Spinning Wheel”.

Temperaturas atingem níveis perigosos no Campo Pequeno com os Royal Blood
Temperaturas atingem níveis perigosos no Campo Pequeno com os Royal Blood

Após uma impecável prestação dos novatos, e chegada a vez dos cabeça de cartaz, a euforia não poderia ter estado mais elevada. Se estavam 30° graus na rua, no Campo Pequeno sentia-se perto do dobro! Casa cheia e palco vazio, foi assim que começou a prestação da (enorme) dupla straight out of Brighton, os Royal Blood. Não só porque o integra, mas também porque dá nome ao mais recente longa-duração dos britânicos, “How Did We Get So Dark?” foi o tema que abriu o alinhamento e instalou o caos na plateia. E porque músicas como esta precisam de backvocals, duas cantoras iam entrando e saindo de palco para apoiar Mike Kerr, aproximando assim o som às gravações em estúdio.

Temperaturas atingem níveis perigosos no Campo Pequeno com os Royal BloodTemperaturas atingem níveis perigosos no Campo Pequeno com os Royal Blood

Uma enorme parede de luzes situada atrás dos músicos criou o cenário perfeito para o enérgico rock dos britânicos, que com a sua imponência ecoou no Campo Pequeno. Temas como “Lights Out”, “Little Monster” e “Come On Over” deram seguimento ao alinhamento que indiciava deitar abaixo uma das mais icónicas salas da capital. A audiência, que nem por um segundo parou de saltar, teve direito um sentido agradecimento de Mike Kerr pelo incrível ambiente que se fez sentir durante hora e meia de espectáculo. E em palcos portugueses o elogio não é novidade.

A aumentar euforia e a intensidade do mosh – por esta altura já voavam cervejas por todo o lado – ecoaram “I Only Lie When I Love You” e “Hook, Line & Sinker”, duas das faixas do álbum mais recente que mais sucesso tiveram. A primeira saída de palco foi ao som de “Figure It Out” (2014) e não foi necessária muita insistência para que a dupla-maravilha regressasse. Para o encore os ingleses reservaram “Ten Tonne Skeleton” e “Out Of The Black”, dois dos mais aguardados temas, que não podiam faltar no alinhamento e que originaram o maior mosh da noite. Com a energia de quem tinha acabado de entrar em palco, embora estivéssemos já na recta final, em “Out Of The Black” Mike Kerr acompanhou Ben Thatcher na bateria enquanto simultaneamente tocava baixo, como se de uma brincadeira se tratasse.

Temperaturas atingem níveis perigosos no Campo Pequeno com os Royal BloodTemperaturas atingem níveis perigosos no Campo Pequeno com os Royal Blood

Fatboy Slim, Bonobo ou The Kooks são exemplos dos grandes talentos provenientes de Brighton e os Royal Blood não degeneram: dois músicos incríveis e um público incansável resumem uma prestação que aqueceu (ainda mais) a noite de sábado. Com a promessa de um regresso, e ao som de fortes e eufóricos aplausos, os Royal Blood despediram-se de Lisboa e continuam a digressão que apenas terminará no início do próximo verão.

Texto: Maria Roldão
Fotografia:
Nuno Alexandre