A melhor maneira de encerrar um mês em grande e enfrentar a ideia de Segunda-feira? Ir a um concerto de And So I Watch You From Afar, num Domingo à noite. Dia 30 de Outubro foi uma noite de Domingo bastante agitada, não só pela imensidade de estudantes trajados pelas ruas da cidade do Porto, mas também pelo concerto mais que surreal da banda irlandesa no Hard Club.

Eram 21h30 e nem a mudança de hora fez atrasar uma plateia não completa mas bastante acolhedora, que recebeu Paisiel, o projecto do percussionista João Pais Filipe e do saxofonista Julius Gabriel, que enigmáticos conjugaram demasiado bem o som com o jogo de luzes em palco. Poucos minutos depois da hora marcada para o inicio do concerto, arrancava então a banda com raízes em Belfast. “Search:Party:Animal” foi a primeira, e uma verdadeira patada na boca com a tamanha massa sonora e jogo de luzes, que nos deixou desarmados. Dez minutos seguidos de música pautada com riffs de guitarra demasiado rápidos ao olho humano, e Rory Friers de guitarra em punho desceu do palco, para desafiar a plateia que, já de mãos na cabeça e a transpirar, se agitava ao som de “Like A Mouse”, “Wasps” ou “B.U.M.C”.

A grandiosidade de And So I Watch You From Afar
A grandiosidade de And So I Watch You From Afar

Entre afinanços de guitarra, que estrategicamente interligavam as músicas sem parar, Rory Friers sempre muito simpático perguntava ao público se estava tudo bem, ao que da plateia alguém gritava“Please be gentle!”. Trocas entre magníficas guitarras e um valente sapateado, entre pedais que disparavam efeitos sonoros do além, nas músicas, a banda não descansou enquanto não meteu toda a plateia a abanar desenfreadamente a cabeça (agora sim percebemos a dor de pescoço do dia seguinte). Música meramente instrumental, não fossem os “ohh’s” gritados quer em palco, quer em toda a sala, o que deixou os próprios músicos espantados – questionavam-se como era possível estar tanta gente num concerto a uma Domingo à noite, e não em casa a ressacar no sofá – parece que o público português é rijo.

Visitámos todos os cinco álbuns editados pela banda, e nem as novas malhas de The Endless Shimmering, que saiu há dias, foi menos festejado – ”Terrors Of Pleasure”, “A Slow Unfolding Of Wings” e “Dying Giants” também fizeram parte das novidades no alinhamento. Dedicada ao irmão de Friers, “7 Billion People All Alive At Once” foi dos momentos mais bonitos da noite, deu para arrepiar e até fraquejar dos joelhos… escondendo uma lágrima ou outra quando literalmente toda a gente cantou bem alto, em uníssono com os mestres em palco. Criou-se uma simbiose incrível naquele espaço, estávamos todos ali para o mesmo. Quer Friers quer Niall Kennedy distribuíam fist-bumps aos frontliners como se fossemos todos melhores amigos.

A grandiosidade de And So I Watch You From Afar

“Set Guitars To Kill”  foi a última até sentirmos o chão a tremer, quando o público em êxtase pedia por mais. “Run Home” deu para sentir os bpm’s do coração a igualarem a velocidade dos riffs pojantes das guitarras, e para sentir a roupa a tremer com os graves do baixo e o partir literal de pratos na bateria. Gritámos até a voz nos doer e, de braços ao alto, expressávamos-nos da maneira que conseguíamos sem saber como resistir à potência do tema de abertura Heirs. “Big Thinks Do Remarkable” contrastou com uma das músicas mais bonitas da noite… “The Voiceless”, que finalizou o concerto, e nos deixou o coração cheio e uma nostalgia inter-galáctica.

Sabem quando se fala de concertos que mudam vidas? Este foi um deles. No fundo um simples domingo à noite tornou-se num momento que nos vai marcar até a memória nos falhar de vez. Arriscamos a dizer que foi o concerto do ano.

ASIWYFA

 

Alinhamento:
1.  “Search:Party:Animal”
2. “Like A Mouse”
3. “Terrors Of Pleasure”
4. “BEAUTIFULUNIVERSEMASTERCHAMPION”
5. “Wasps”
6. “A Slow Unfolding Of Wings”
7. “Dying Giants”
8. “7 Billion People All Alive At Once”
9. “Don’t Waste Time”
10. “Set Guitars To Kill”

11. “Run Home”
12. “Eunoia”
13. “Big Thinks Do Remarkable”
14. “The Voiceless”

 

Texto: Adriana Lisboa
Fotografia: Sílvia Pera Fernandes (foto-reportagem completa aqui)