E porque é (também) graças aos novos talentos que a música evolui, a Punch traz-vos New Kids on The Block, um espaço onde vamos divulgar os newcomers na cultura hip hop. Descubram, connosco, quem são aqueles que andam a captar a nossa atenção, e que estão a escrever o futuro da música por cima das melhores batidas.

De Mem-Martins vem Harold, mc que nos chegou aos ouvidos através dos GROGNation. Já todos sabemos que Harold tem skills (e isso ninguém lhe tira) e, neste álbum a solo, só veio cimentar mais isso mesmo. Com faixas produzidas por Here’s Johnny ou Lhast, entre outros, e com Bispo, Papillon e Mundo Segundo a emprestarem as vozes, Indiana Jones traz-nos o flow e lírica, que já conhecíamos elevadas, no seu expoente máximo. O nome de Harold está, sem dúvida, escrito no futuro do rap português e, seja em grupo ou a solo, é um rapper a ter debaixo de olho.

LALI

Apareceu de máscara e foi um murro no estômago no rap nacional. Com uma métrica irrepreensível, e com o egotrippin’ como principal registo, L-ALI está neste conjunto de newcomers do rap português. L-ALI começou nisto há três anos, como diz em Uaia, colaboração com ProfJam que veio assinalar a sua parceria na Think Music, label da qual o rapper de Telheiras é cabecilha. Entrou para o game através do SoundCloud e foi criando parcerias com alguns produtores portugueses – destacam-se VULTO., PESCA e Razat. Com VULTO. criou o EP Surrealismo XPTO, um marco para o rap underground português. Pautado por sonoridades diferentes do que se costuma ouvir por cá, começou a cimentar o seu lugar como um dos que vão escrever o futuro do rap nacional. Segue-se O Conto, o primeiro longa duração, que conta com Razat como principal produtor e continua a mostrar que L-ALI não está aqui para nos manter entretidos – mas sim para nos incomodar.

À parte disto, tem com VULTO., PESCA, Tilt, Jota e Secta, o projecto Colónia Calúnia, um colectivo que veio abalar a nova escola portuguesa. Estamos agora à espera dos frutos da parceria com a Think Music e vamos ficar, com certeza, atentos a este pintor de palavras.

brockhampton

Haverá espaço para uma boy band no hip hop? Os Brockhampton dizem que sim. Kevin Abstract, Romil Hemnani, Ameer Vann, Merlyn Wood, Dom McLennons, Matt Champion, JOBA, bearface., Jabari Manwa, Kiko Merley, Henock “HK” Sileshi, Ashlan Grey, Robert Intenient e Jon Nunes conheceram-se no fórum dedicado a Kanye West, “KanyeToThe”, o que lhes deu o título de “A Primeira Boy Band da Internet”. O grupo lançou a sua primeira mixtape, All-American Trash, em 2016 e, em 2017, saíram os álbuns Saturation I, em Junho, e Saturation II, em Agosto. Segundo Kevin Abstract “Acho que o que estamos a fazer nunca foi feito.”.  Estão a afirmar-se como uma agência criativa e label completamente independente, tudo alicerçado na máxima de que são uma família.

Aqui, na Punch, estamos ansiosamente à espera do  Saturation III, que já tem como primeiro single a música “Follow”.

Lembram-se de tentar adivinhar a idade de Tyler, The Creator pela voz? Vamos tentar fazer o mesmo com o Rich Chigga. Com um timbre bem grave e com uma métrica e um flow de quem já anda nisto há anos, o rapper indonésio anda a dar cartas na música desde os 17 anos. Começou na comédia e, rapidamente, atingiu uma grande visibilidade no Twitter e no Vine. Aprendeu a falar inglês através do YouTube, ouvindo Childish Gambino, Tyler, The Creator, entre outros. Rich Chigga chega-nos em 2016 com o single “Dat $tick” e, nos primeiros segundos, o que parece ser uma paródia mostrou bem o que Brian consegue fazer. Nesse mesmo ano lança “Who Dat Be” e “Seventeen”. Este ano destacamos “Chaos” e “Glow Like That”.

Estamos em pulgas para que saia um álbum deste rapper de 18 anos. Sim, ele tem 18 anos.

amine

Aminé chegou aos nossos ouvidos através de “Caroline”, uma serenata a todas as mulheres, e não apenas às Carolinas. Rapidamente mostrou que a sua música não se tratava só de canções de flirt, e que era um rapper completo e com uma grande consciência política e social. “Turf”, e uma actuação no programa de Jimmy Fallon, provaram isso mesmo, com críticas bastante assertivas ao governo de Donald Trump. O rapper de Portland já lançou o primeiro álbum, Good For You, que tem a fantástica pontuação de 7.3 pela Pitchork. Este é pautado pela positividade, storytelling e inteligência. Oiçam e tirem as vossas conclusões!

Márcia Pedroso
Grafismo: Nádia Alexandre