Masseduction é o quinto álbum de St Vincent e tem sido aclamado com furor como nenhum outro. “New York”, o seu primeiro single, foi lançado em Junho, captando a atenção e curiosidade dos ouvintes. As restantes músicas foram-nos sendo oferecidas, acompanhadas de videoclips originais e muito satíricos, e a adesão ao álbum multiplicou-se. St Vincent estará a partir de Outubro em tour, à qual deu o nome de uma das suas músicas: “Fear for the Future”. Nesta tour apresentará, naturalmente, o tão esperado e bem sucedido álbum Masseduction. As suas actuações prometem grande qualidade musical e animação para aqueles que apreciam pop rock alternativo.


À semelhança da tour, também o álbum herda o nome de um dos seus singles. “Masseduction” é uma das suas músicas mais excêntricas e atrevidas. Progride lentamente, rebentando com guitarras cortantes e a voz sensual de St Vincent, dizendo: I can’t turn off what turns me on. O coro, abafado pela força de St Vincent, mas ainda assim completando-a, pronuncia continuamente mass seduction, mass destruction até estas serem indistinguíveis. Por sua vez, os sintetizadores seguram como um puzzle toda a melodia, encaixando todos os seus elementos harmoniosamente. É uma sinestesia musical que sustenta o caos com uma sinfonia perfeita.

St Vincent distingue-se como uma artista out of the box não só pelo seu estilo musical autêntico, mas também pela sua maneira de estar. É uma artista única, que assume a sua individualidade. Marca esta sua característica na primeira música de Masseduction, “Hang on me”, cantando You and me / we’re not meant for this world. Por outro lado, no single “Pills”, critica a indústria farmacêutica e o consumismo excessivo da sociedade, com grande ironia e sentido humorístico: Pills to fuck/ Pills to eat/ Pills pills pills everyday of the week. É atrevida na maneira como se apresenta, e nos temas que apresenta através da sua música, como o poder, o sexo e as drogas.

Em “Los Ageless” conhecemos uma artista enérgica, quase que até frenética, com ritmos fortes e melodias dançantes. É difícil ficar-se indiferente a uma artista tão singular como St Vincent. Em contraste, é igualmente difícil não nos deixarmos sensibilizar pelo seu lado mais terno. Este álbum fala-nos da tristeza e do arrependimento e, com muita clareza e simplicidade, nos trespassa este sentimento em “Happy Birthday Johnny”. Também no lead single “New York” se expõe uma faceta mais pessoal de Annie Clark, que nos transporta para a solidão das ruas de Manhattan após um desgosto amoroso. O álbum acaba com “Smoking Section”. O piano frio e a voz distante de St Vincent apontam para uma amargura profunda, um sentimento de perda e até de revolta: And sometimes I go to the edge of my roof/ And I think I’ll jump just to punish you. Podemos então considerar que Masseduction é um álbum de estado de espírito versátil, tanto delirante como melancólico.

Masseduction é um album inovador, onde diversos estilos musicais convergem. St Vincent é moderna, jovem e ousada. O seu timbre é vibrante, com trejeitos de voz vindos da sua formação de jazz. Esta multi-instrumentista dá cor ao seu álbum com a sua guitarra ousada e os seus sintetizadores esvoaçantes. Toda a aura que flutua deste álbum é de dream e glam rock, expondo várias dimensões da vida pessoal de Annie Clark, que afirma: “If you want to know about my life, listen to this record.”

De um jogo entre as suas cordas vocais e as cordas da sua guitarra, de uma montanha-russa emocional de up’s and down’s e de um ciclo humano de felicidade/tristeza, nasce um álbum complexo.

Nota: 7,5

Maria Ribeiro