Eclécticos, únicos e irreverentes. Estes são os Everything Everything, banda britânica composta por Jonathan Higgs (voz), Michael Spearman (bateria), Alex Niven (guitarra) e Jeremy Pritchard (baixo). Estrearam-se em estúdio no ano de 2010 e contam já com quatro bem recebidos álbuns de originais: Man Alive, Arc, Get To Heaven e, o mais recente, A Fever Dream. Conhecidos pelo excepcional falsete de Jonathan Higgs, e por não se deixarem limitar por nenhum género musical, foi através da fusão das sonoridades rock, electrónica e pop que os músicos de Manchester conquistaram o lugar na ribalta. Juntaram-se pela primeira vez em 2007 e este Novembro vão apresentar-se no festival Vodafone Mexefest em Lisboa. A escolha não foi fácil, mas após alguma deliberação escolhemos os dez temas que melhor abrem o apetite para o concerto de dia 25.

“Suffragette Sufragette” – Man Alive
Se alguma dúvida restava, relativamente à estreita relação entre os Everything Everything e o rock, “Sufragette Sufragette” tira as teimas. A presença de fortes linhas de baixo e guitarra, e a ausência dos habituais teclados e sintetizadores, não deixam espaço para qualquer dúvida.

“Kemosabe” – Arc
Em todos os temas, é evidente que Jonathan Higgs foi abençoado com uma incrível extensão vocal e que é capaz de conquistar qualquer um, tanto com o falsete como com os graves. Mas é em “Kemosabe” que as capacidades vocais do cantor atingem o seu exponencial e nos deixam totalmente boquiabertos.

“Spring / Sun / Winter / Dread” – Get To Heaven
Faz parte do penúltimo disco dos britânicos, editado em 2015, faz já dois anos. “I don’t want to get older”, diz o refrão, mas uma coisa é certa: por mais idade que o conjunto acumule, a sua presença na história da música está vincada.

“Can’t Do” – A Fever Dream
Uma das canções que mais faz relembrar o ambiente nocturno, “Can’t Do” é a segunda do novo álbum. Esta é, simultaneamente, a segunda prova que temos de que, sem grandes esforços e, mesmo passados dez anos, os Everything Everything se mantêm fiéis ao seu estilo ecléctico.

“Desire” – A Fever Dream
Embora seja a voz de Jonathan que, pelo falsete, mais sobressai, é importante relembrar que todos os membros de Everything Everything fazem parte do incrível coro que acompanha o vocalista. “Desire” é o exponencial do impacto das vozes de todos os músicos, sem descurar os instrumentais, como é claro. E desire (desejo) de os ver ao vivo é o que sentimos ao ouvir qualquer um dos álbuns.

“Regret” – Get To Heaven
A temática é o arrependimento mas, no entanto, não há aqui quaisquer arrependimentos. É um dos melhores temas dos britânicos, e não nos deixa grande espaço de manobra: a linha de baixo, os arranjos vocais e, mais uma vez, o coro, conquistam facilmente a atenção de qualquer amante de pop, rock ou electrónica – é o que vale haver um leque diversificado de sonoridades.

“Night Of The Long Knives” – A Fever Dream
Do mais recente álbum dos britânicos vem “Night Of The Long Knives” e este é, sem dúvida, o tema que melhor celebra o lançamento de mais um sucesso de vendas. Mais uma letra sobre dramáticas tempestades, à semelhança de “Radiant”, mas desta vez o instrumental do refrão corresponde ao drama da lírica. No entanto, apesar de todo o dramatismo, apenas temos bons motivos para adorar esta canção.

“Radiant” – Arc
A letra pinta um cenário negro, mas o título difere e corresponde na perfeição ao que o instrumental nos faz sentir: radiantes. Entre terramotos, fome e desconcertantes fugas, os britânicos unem à incrível linha de guitarra um baixo e um teclado, ambos spot on, resultando num tema divinal. Sem dúvida um dos melhores da banda.

“Cough Cough” – Arc
Provavelmente a única circunstância em que a tosse é recebida de braços abertos. “Cough Cough” é outro dos temas que integra o longa-duração Arc, o segundo lançado pelos britânicos. A percussão, unida aos sons de uma tosse nada agradável, introduz um dos melhores álbuns do grupo. Mais uma vez, toda a banda brilha no coro, mas é a lírica frenética de Jonathan, desta vez acompanhada de um também frenético teclado, que, em certos momentos, nos rouba a atenção.

“MY KZ, UR BF” – Man Alive
“MY KZ, UR BF” é a primeira faixa do disco Man Alive, e vivos provaram estar os britânicos. Este tema inaugural dá-nos uma ideia clara do que esperar dos Everything Everything: falsete, sintetizadores e uma energia musical que desperta qualquer um. E se o início de carreira foi assim, o sucesso do conjunto seria a única hipótese para o futuro – e assim foi.

Maria Roldão