A Xita Records traz até nós António Eça, Martim Brito, Xixo, Pedro Valera e António Beatriz – que juntos formam os VEENHO. Diretamente de Lisboa, descontraídos e jovens, trazem-nos um “pop de garagem”, como os próprios lhe chamam. Dois EPs depois, osrestelo goths” dão sinal de que com o seu estilo natural e criatividade estão para ficar.

Se, apesar do frio ser recente, já estiverem doentes, não se preocupem – fiquem por casa, que os VEENHO trazem-lhe “Paracetamol”, música de abertura do primeiro EP, homónimo, lançado em fevereiro deste ano. Gravado no estúdio da Maternidade, este EP começa com uma entrada irrepreensivelmente melódica, “Paracetamol” é o que o seu nome indica, um remédio. Um remédio para quem já sentia falta de um indie rock que fosse ousado e não tivesse medo de variar. Na verdade todo este primeiro EP dos VEENHO representa isso mesmo, rock nas suas variadas facetas, sempre sem medo de algum experimentalismo. Gravado em 2015 e lançado em 2017, os VEENHO parecem ter apostado na paciência e esta tem os seus frutos. “Costa Oeste”, o segundo tema deste EP, é a banda sonora de um longo dia na praia. Calor, sol e rock’n'roll é o que esta música invoca. Uma guitarra bem audível e uma bateria suave, mas bem presente, marcam esta música que suscita memórias de um verão distante, onde se dança, e muito.

O surf rock continua muito percetível em “Ruim”, o que nos leva a, mais uma vez, esboçar um sorriso bem genuíno, tal é a boa energia que transmite este EP. “Chamada para Tóquio” deixa antecipar o lado mais “rockeiro” dos VEENHO, lado este que pode ser ouvido no último tema deste EP, “Saideira”. A voz de Filipe Sambado, sempre discreta mas essencial, está presente em “Costa Oeste” e “Saideira” e, ainda, segundo a própria banda, foi bastante audível durante a produção de “Paracetamol”.

Se o primeiro EP mostrava a confiança dos VEENHO no indie rock, este segundo EP, VEEENHO (com um “e” adicional), lançado neste novembro, vem confirmar isso mesmo. Os VEENHO encontraram no indie rock a sua praia e, com um estilo algo tropical e solarento, “Aliada” e “Rato Modesto” são o resultado final – e que final tão bom. Um segundo EP, com uma batida de rock aliciante e viciante, que vai de batidas simples a grandes transições de bateria, sempre em comunhão com a guitarra, o baixo, uma pandeireta e ainda um teclado. “Restelo Goths” é a faceta de experimentalismo que faltava assumir pelos VEENHO. “Cerveja Lofizera” e “Praia de Pedrouços” são dois temas onde se nota a influência do surf rock mas também do indie rock, marca dos VEENHO que nos chega neste segundo EP.

O inverno está aí e, com o calor em extinção, a melhor maneira de nos aquecermos em casa será certamente dançando! Esse entusiasmo está certamente garantido, pois os VEENHO parecem ter vindo para ficar.

Duarte Barreiros
Foto: Manuel Simões