O Vodafone Mexefest já nos deu grandes concertos pop ao longo dos anos. Há muitos exemplos disso: o concerto dos Kindness, na estação de comboio do Rossio, Patrick Watson, no Coliseu dos Recreios, e até mesmo uma edição que abriu com uma pequena banda francesa, na altura, The Shoes. Este ano o festival não vai falhar nesse género. Há duas bandas que se apresentam avenida este ano, que vale mesmo a pena ver.

A primeira banda que destacamos é Washed Out. Este projecto é liderado pelo músico Ernest Greene, que cresceu no estado da Geórgia (EUA) e desenvolveu a sua música na cidade Athens, deste mesmo estado. Mas este local desconhecido, para maioria de nós, foi onde nasceram também outros projectos de relevo como os R.E.M., os The B-52’s ou os Neutral Milk Hotel. Aliás, há um filme romântico interessante, que se chama “Spectacular Now“, com Milles Teller e Shailene Woodley, que se passa nesta pequena cidade, e que dá a conhecer o ambiente deste longínquo recanto americano.

Os Washed Out já lançaram três álbuns: Within and Without,  em 2011, Paracosm, em 2013 e o último, lançado em Junho deste ano, Mister Mellow. Ernest Greene é associado ao géneros chillwave, dream-pop e synth-pop. Quem ouve os três álbuns consegue identificar um som muito característico e melodioso. No entanto, neste último trabalho, o som apresenta-se mais vibrante e jovial que nos anteriores. Os dois primeiros singles, “Get Lost” e “Hard to Say Goodbye”, são claros exemplos disso mesmo. Neste álbum, Greene consegue levar-nos numa viagem fantasiosa, com ambientes e sonoridades que nos fazem lembrar outros artistas, como Tycho ou Kaytranada. Este som leva-nos mais à zona oeste das EUA ou, mais concretamente, faz-nos lembrar a Califórnia e festivais como o Coachella. Em “I’ve been daydreaming my entire life” o músico refere o seguinte, “It’s fun daydreaming, you know / You get to be whoever you want”. Há uma parte de nós que gosta de sonhar, de pensar o que poderíamos ser, e nesta canção Greene mostra esse lado mais idealista. O concerto no Vodafone Mexefest, no Coliseu dos Recreios, dia 24, pelas 21h, apresentará Mister Mellow e promete transportar o público para um ambiente sonhador.

A segunda banda que destacamos chama-se Childhood. Esta banda vem de Nottingham, do centro de Inglaterra. Ben Romans-Hopcraft e Leo Dobsan conheceram-se na Universidade de Nottingham e depois recrutaram o resto da banda. Aí actuaram regularmente durante algum tempo e foram lançando demos online. Desde o início desta década que, na cidade de Robin Hood, também têm surgido nomes que se têm afirmado no mundo musical, tais como: London Grammar, Jake Bugg ou os Sleaford Mods. Desde então, algumas coisas evoluíram, e a banda inglesa definiu como base a cidade de Londres, donde os dois membros fundadores são originários, e assinaram com a editora Marathon Artists.

Os Childhood lançaram este ano o seu segundo álbum, Universal High, que sucede a estreia, em 2014, com Lacuna. Ao contrário dos Washed Out, os Childhood assumem-se como banda pop. Neste novo disco, Ben assume-se como líder do grupo a todos os níveis e, principalmente, a nível criativo. O primeiro single do álbum, “Califórnia Light” é a  canção mais orelhuda, e uma boa introdução para quem não conhece a banda. Enquanto que há muitas bandas americanas que têm uma sonoridade muito europeia, já o contrário acontece rara vez. Este é caso dos Childhood, que têm uma sonoridade muito americana, cimentada pelo facto deste álbum ter sido gravado na cidade de Atlanta, nos EUA. Ben e os seus companheiros de banda avançaram para este álbum com mais maturidade, mas ainda à procura do seu lugar na música, tentando perceber por onde podem ir. No concerto do Vodafone Mexefest, na Estação do Rossio, dia 25, pelas 21h45, espera-se a apresentação do novo disco e uma festa muito enérgica, mas com alguns momentos blues.

Rodrigo Castro