Os Childhood andam a fazer a tour de apresentação do seu segundo álbum Universal High. Entre várias datas europeias, a banda inglesa aterrou em Lisboa, para um concerto com muito power, mas ao mesmo tempo para mostrar canções que representam a geração dos vintes que está cheia de dúvidas e fragilidades. Aqui fica a entrevista com Ben Romans Hopcraft, vocalista e líder da banda. Também estiveram presentes na entrevista Leo Dobsen e Thomas ‘Tomaski’ Fiquet. Os Childhood tocaram no segundo dia do festival no palco da Estação do Rossio.

Onde é que vocês foram buscar inspiração para este álbum? Que artistas ouviram?
Ben (B): Nós fomos influenciados por muitas coisas que ouvimos durante o primeiro álbum, mas não tivemos confiança usar essas referências logo. Eu ouvi muita música soul e também ouvi muitas vezes Marvin Gaye.

Quando estava a ouvir o vosso álbum senti por vezes que vocês tinham um som mais americano do que inglês. Isso era um objectivo?
B: Eu acho que sim. Não foi uma coisa intencional. Foi mais pela música que estávamos a ouvir na altura. Eu acho que o lado mais britânico percebesse pelo contexto das palavras, mais do que pelo lado estilístico. Os sentimentos são mais britânicos e o estilo é mais americano.

Vocês foram gravar o vosso álbum aos EUA (Atlanta, Georgia) com algum plano em mente ou não tinham planos nenhuns?
B: Nós tínhamos tudo preparado e já tínhamos tudo gravado antes de irmos. Houve algumas coisas que deixamos ver como corria quando estivéssemos lá. Nós tivemos um produtor que nos deu algumas dicas. Especialmente com a parte mais vocal. Ele ajudou-me bastante. Eu não tinha a confiança absoluta que conseguiria fazer as coisas que fiz neste novo álbum. O nosso produtor foi muito bom ao dar-me confiança.

A cultura americana ainda é bom sitio para buscar alguma inspiração?
B: Hmm… Sim, definitivamente acho que sim. Numa cultura tão estranha como esta, na sua essência. Há tantas coisas más a acontecer, que nos inspiram de uma certa maneira. Há uma grande necessidade mudança. É uma cultura que inspira fúria ou paixão. Está destinada a ser mudada.

Nas vossas letras vocês falam em miúdas, em estar estagnado e confuso. Vocês tiveram algumas inseguranças, ansiedade, não saber para onde apontar ou ir entre o primeiro e o segundo álbum?
B: Nós não queríamos fazer uma álbum igual ao primeiro. Nós tentámos fazer algumas músicas parecidas às do primeiro álbum, mas não resultaram.

Leo Dobsen (LD): Não sentíamos algum tipo de progressão, de alguma maneira. Tivemos de dar um passo atrás

B: Queríamos sobretudo satisfazer-nos a nós mais do que os outros. Nós sentimos algumas dificuldades porque sentíamos que estávamos a satisfazer os outros quando escrevemos algumas coisas que não acabaram por entrar no novo álbum. Depois sentimos que queríamos era sentir-nos felizes e isso pode parecer egoísta. Mas nós pusemo-nos em primeiro lugar.

Ben sentiste alguma dificuldade por ter mais responsabilidade sobre visão artística deste álbum? Quais foram os desafios?
B: Os desafios não foram as mudanças de estilo. Foi mais ao nível de manter o espírito da banda e sentirmos a música da mesma maneira. Estávamos obcecados com as melodias e com os coros.  Em pôr os sentimentos neste novo estilo. Apesar disso, correu bem.

P: Acham que é mais difícil fazer um álbum pop hoje em dia?
B: Eu acho que sim, está a tornar-se num trabalho sujo. Eu acho que a sinceridade é o que tem de sair.  Mas a insinceridade vende.

P: Leo e Ben vocês juntos nesta banda desde o inicio. A vossa amizade mudou ao longo dos anos?
B: Eu penso que sim, como todas as amizades.

LD: Nós já nos conhecemos há algum tempo. Crescer juntos durante os vintes, é uma altura muito importante na tua vida. Há mudanças importantes que ocorrem. Mas nós ainda estamos aqui e estamos a divertir-nos.

B: Eu acho que ele vai começar a chorar (risos). Eu acho que no inicio nós éramos mais colaborativos, depois começamos a escrever de forma mais independente. Nós estamos sempre a aprender um com o outro.

P: Acham que Inglaterra está estagnada a nível político, social e artístico?
B: Eu acho que há uma certa inércia na política, por causa do Brexit. Há um atraso. Há uma diferença muito distinta entre Londres e o resto de Inglaterra. As pessoas estão a tentar perceber o Inglaterra significa hoje me dia. E não é só desta perspectiva isolacionista de Londres. Talvez não tenhamos um pensamento tão progressivo como pensávamos que tínhamos. Mas talvez isto seja um empurrão para algo melhor no futuro.

Rodrigo Castro