O Príncipe fez a apresentação do seu álbum de estreia, “A Chama e o carvão”, na passada sexta-feira dia 8 de Dezembro com o Popular de Alvalade em Lisboa encheu-se para ver e ouvir um jovem delicado e reservado, mas muito confortável em palco. A noite não foi longa mas ficou certamente na retina de quem por lá passou.

O concerto de Príncipe para mim começou muito antes das onze horas da noite do feriado da Imaculada Conceição. No dia 8 de Dezembro de manhã, o meu bom amigo Tiago Brito (Capitães da Areia e Manuel Fúria e os Náufragos) mandou-me uma mensagem. Perguntava-me se queria ir jantar com os Ciclo Preparatório antes do concerto de Príncipe. Respondi obviamente que sim.

Príncipe e a sua corte – Concerto de Apresentação do disco “A Chama e o Carvão” [Popular de Alvalade]

O local do encontro foi o Restaurante Tatu na Avenida da Igreja às oito e meia. O ambiente era festivo no restaurante. Quando cheguei já estava um grande grupo de amigos do cabeça de cartaz da noite sentados à mesa. O mestre cerimónias era Zé Pape, que pertence aos Ciclo Preparatório. Pape, de papel e caneta na mão apontava quem já tinha pago o jantar. Pré-pagamento era política de pagamento da casa nessa noite e sobretudo para jantares de grupo. No restaurante estavam outros grupos, mas a celebrar a época festiva ou comemorar os aniversariantes do dia. Sentados ao meu lado também estavam os conhecidos destas andanças Vasco Ramalho e Pedro de Tróia (também eles membros dos Capitães da Areia). Entretanto chegaria o homem da noite, Sebastião Macedo, também conhecido por Príncipe. Sempre discreto e sem dar grande alarido, não parecia nervoso, nem parecia que ia ter o concerto de apresentação do seu primeiro álbum a solo. Sebastião saudou os seus amigos, sentou-se, comeu o seu bacalhau, levantou-se e dirigiu-se ao Popular de Alvalade para preparar os últimos detalhes antes do concerto. Fez tudo isto, sem darmos por ele sair. Entretanto acabámos as nossas sobremesas (o pudim, o doce da casa e a mousse de chocolate) e saímos em direcção ao Popular, que era muito perto. Fomos a pé. A noite não estava muito fria, mas sentia-se a humidade no alcatrão.

Príncipe e a sua corte – Concerto de Apresentação do disco “A Chama e o Carvão” [Popular de Alvalade]

O concerto começou por volta das onze horas. A sala estava cheia de amigos, de conhecidos, alguns curiosos e habitués do espaço. Aquela era a corte do Príncipe, que o esperava. Ele não iria fazer um grande anúncio, não se ia sentar num grande trono e nem mostrar as suas mais belas vestes. O concerto começou com a canção “Dalí”, onde aproveitou para mostrar desde logo os seus dotes de flauta. Em palco Príncipe estava confortável. Estava sentado e acompanhado por Vasco Brito e Abreu e Francisco Macedo, era este o trio que se mostrava. Bem ensaiados e sem mostrar grandes ânsias, o concerto manteve sempre o mesmo tom e ritmo. Os amigos estavam curiosos para ver o que conseguiam aprender dali. No início da canção “Dois Terços do Que Sei” que começa com um solo de guitarra, Príncipe exibiu os seus dotes de guitarra mas ao mesmo tempo conseguiu mostrar o seu imaginário. O ambiente familiar proporcionou que o músico se sentisse à vontade para expor um pouco dos seus sentimentos. Fosse a tocar guitarra ou nos teclados, Príncipe mostrou-se sempre seguro. No fundo, aquelas eram as suas canções e poder mostrá-las a quem mais gosta foi de certeza um momento especial. Houve verdadeiros momentos de sinceridade em algumas músicas e isso é sempre bom testemunhar. O concerto acabou com uma das músicas mais mexidas e as miúdas ruivas, que não conhecessem este artista misterioso ainda conseguiram vibrar um pouco.

Príncipe e a sua corte – Concerto de Apresentação do disco “A Chama e o Carvão” [Popular de Alvalade]

Este feriado serviu para apresentar o álbum “A Chama e o carvão”. Foi com uma dose certa de canções. O concerto acabou por volta da meia noite, sem direito a encore. A noite depois continuou. Uns foram para casa. Outros para bairros mais boémios do que a zona pacata de Alvalade. O Príncipe teve uma noite em que mostrou a sua verdadeira nobreza e sua corte ficou deliciado ao ouvi-lo.

Rodrigo Castro
Fotografias: Big Bad Bigos