Luís José Tojo, que adopta o cognome de Luís XIV, é conhecido como SunKing. Foi sob este mesmo nome que nos deu a conhecer o seu primeiro EP, “Pouco Original”, no Outono Passado. Na verdade, este seu EP de estreia está longe de ser Pouco Original, consideramo-lo até um possível EP ascensional em 2018. Esperamos acompanhar o crescimento de SunKing daqui em diante.

“Pouco Original”, gravado no estúdio Voador, apresenta-nos três faixas. A primeira, “Para um Anormal”, dá-nos um gosto da sua loucura, que nos cativa e convida para mais. A sua guitarra ritmada em combustão, incendeia-nos, no calor da sua voz de vinho quente. Os seus jogos de palavras e letras criativas também nos surpreendem e deixam desprevenidos. “Atividade Paranormal/ Atividade para um Anormal” é um exemplo do rock português no seu melhor. Em “Queres Saber”, SunKing assume com muita atitude esta escolha pelo português: “Vou-te cantar/ Em português/ Vou-te contar/ Outra e outra vez.” SunKing vem mesmo a calhar porque, de facto, precisamos desta postura no rock português. Mais uma vez as suas letras mostram a irreverência de um jovem músico: “E não queres saber/ Se fico para lá/ D’outra margem/ Ou se me vou foder”. É em parte, esta sua ousadia que mais nos atraí. Esta sua “rebeldia” é também visível em “Ao Litro” que descreve as rotinas “pouco originais” de um jovem perdido que se refugia nos hábitos que mais o reconfortam: “Ao Litro é mais barato/ Ainda tenho tabaco”. No clímax da música, os seus suspiros contagiam-nos com um forte sentimento de evasão decadentemente dançante de uma maneira inexplicável e consensual. No seu EP, SunKing menciona frequentemente o ato de se “esconder”: “Tens medo/De tocar no assunto/ Que eu não sei esconder”; “Sou só/ O que eu sei esconder”.A realidade é que por muito que se oculte, ao sol de Sunking, Luís José Tojo expõe-se por completo e é isso que confere tanta autenticidade à sua música.

Sunking é arrojado e irreverente, sendo difícil ficar-se-lhe indiferente. Transporta-nos com a sua música para uma juventude boémia e dá-nos vontade de abanar o capacete e viver no limite. Traz a sua luz ao rock português, cantando tudo o que lhe vai na mente.  Ainda que seja “pouco original “e recém-chegado ao mundo da música, queremos mais de Sunking no futuro, para por ele sermos encadeados de boa música portuguesa. Aqui estaremos para acompanhar o seu percurso.

Nota: 8.5/10

Picas Maria